Eu sinto falta de você
e não sei onde foi
que nossos estranhamentos se cruzaram
mas tem algo em ti
que me faz
não deixar pra lá.
Eu vejo teus olhos e,
sim,
compará-los com o mar é clichê
o que não é tão óbvio
é o jeito que mergulho neles
Teus olhos são
campo de atração
assim como todo o resto
Você é imensidão
E eu tenho medo,
me perco entre pânico e vontade,
Mas quis te conhecer em detalhes...
Lembro do desejo em minhas mãos
quando toquei tua pele
das poucas vezes que toquei a tua pele
Tem vezes que fecho os olhos
pra trazer essas memórias que meu corpo guarda
para poder imaginar
você comigo
Então te sinto aqui
inteira,
intensa
o prazer é visceral
e machuca também.
Até o mundo da fantasia dói
E dói porque você está distante
longe demais pra mim
mas não o bastante pra ser indiferente.
Penso em outro clichê:
eu sou a Terra
e a Lua é você.
384.400 km distante
me afetando diretamente
Penso também
em tudo que quis fazer contigo
em tudo que ainda quero
e me retiro de mim mesma
para ver se esqueço um pouco.
"Não vai acontecer", repito
mas o desejo é livre demais para eu poder convencê-lo
e sigo te desejando sem meu o consentimento.
terça-feira, 27 de agosto de 2019
sábado, 1 de junho de 2019
Aos felizes não cabem poemas
A tristeza deve servir às palavras
Assim como a solidão lhes serve.
Pessoas felizes não escrevem poemas
Desse remédio elas não sentem o gosto,
Porque suas bocas estão cheias,
Fartas de regozijo.
E essa alegria que lhes escorre dos lábios,
As torna leigas aos poemas
E aí me cabe o consolo,
De que a mim eles fazem sentido.
Quando mergulho nas palavras de Fernando Pessoa, ele é
Ao mesmo tempo,
mar que me afoga e bote que me salva.
E ao colocar-me diante do espelho com seus versos
Eu me sinto menos menos sozinha
E só nessas horas me aproximo um pouco das pessoas felizes.
Meus pedaços quebrados,
Com os dele conversam bem
E é tão bom que alguém tenha colocado em palavras -
Há mais de meio século atrás -
As coisas que meu coração sente.
As pessoas felizes tem outras pessoas felizes.
Eu, pessoa sozinha, tenho o meu poeta Pessoa.
Então, uma gota daquele regozijo que escorre farto da boca dos felizes,
cai sobre meus lábios também.
Mesmo não sendo tão doce,
Me alimenta e eu posso ser grata às palavras,
Porque minha tristeza à elas serve e elas servem a mim.
E isso, os felizes nunca entenderão
Assim como a solidão lhes serve.
Pessoas felizes não escrevem poemas
Desse remédio elas não sentem o gosto,
Porque suas bocas estão cheias,
Fartas de regozijo.
E essa alegria que lhes escorre dos lábios,
As torna leigas aos poemas
E aí me cabe o consolo,
De que a mim eles fazem sentido.
Quando mergulho nas palavras de Fernando Pessoa, ele é
Ao mesmo tempo,
mar que me afoga e bote que me salva.
E ao colocar-me diante do espelho com seus versos
Eu me sinto menos menos sozinha
E só nessas horas me aproximo um pouco das pessoas felizes.
Meus pedaços quebrados,
Com os dele conversam bem
E é tão bom que alguém tenha colocado em palavras -
Há mais de meio século atrás -
As coisas que meu coração sente.
As pessoas felizes tem outras pessoas felizes.
Eu, pessoa sozinha, tenho o meu poeta Pessoa.
Então, uma gota daquele regozijo que escorre farto da boca dos felizes,
cai sobre meus lábios também.
Mesmo não sendo tão doce,
Me alimenta e eu posso ser grata às palavras,
Porque minha tristeza à elas serve e elas servem a mim.
E isso, os felizes nunca entenderão
quarta-feira, 24 de outubro de 2018
Baseado em sonhos reais
19 de out, 3:32 am
Eu acabei de acordar de um pesadelo e estava com medo de me virar para pegar o celular. Era tanto medo que parecia que o mau estava ali, ao meu lado. Geralmente, quando isso acontece, é porque sonhei com espíritos ou demônios, mas dessa vez, meu medo era de pessoas, não mais nem menos do que seres humanos. Parecia que estavam aqui, rondando minha cama. No meu sonho eu e uns conhecidos lutávamos numa guerra civil, queríamos impedir um homem, com ideias absolutamente anti-dignidade-humana de governar. Eu, junto com eles, fugia de outros conhecidos que queriam nos matar. Nesse cenário, eu vi amigos morrendo e matando e vi que chegamos perto, bem perto de barrar nosso algoz, mas ele parecia imbatível, pois seu grupo de suporte estava disposto a tudo. No fim, ao vê-lo vivo depois de ataques que seriam fatais, os meus já cansados, se voltaram contra mim alegando "questão de sobrevivência". Corri, fugi e sozinha ataquei também. Senti as pedras que me jogaram, os cacos de vidro, os golpes com barra de ferro e no fim, senti meu corpo pesado. Caí. Machucada e coberta de sangue. Meu antigo grupo, agora aliado com os rivais do qual lutávamos contra, me e cercou e disseram que por respeito deixariam minha irmã me matar. Naquela altura, eu já estava morta mesmo. Ela vem detrás das pessoas, chorando me abraça deitando também ao chão. Ela chorava pois sabia que precisava me matar. Perguntaram minhas últimas palavras, perguntaram se aquele era o fim, eu disse que não - lembrei do filme jogos vorazes - e ali mesmo, no chão, disse para lembrarmos quem era nosso verdadeiro inimigo. Enquanto estava morrendo, acordei. Dessa vez foi só um sonho.
Eu acabei de acordar de um pesadelo e estava com medo de me virar para pegar o celular. Era tanto medo que parecia que o mau estava ali, ao meu lado. Geralmente, quando isso acontece, é porque sonhei com espíritos ou demônios, mas dessa vez, meu medo era de pessoas, não mais nem menos do que seres humanos. Parecia que estavam aqui, rondando minha cama. No meu sonho eu e uns conhecidos lutávamos numa guerra civil, queríamos impedir um homem, com ideias absolutamente anti-dignidade-humana de governar. Eu, junto com eles, fugia de outros conhecidos que queriam nos matar. Nesse cenário, eu vi amigos morrendo e matando e vi que chegamos perto, bem perto de barrar nosso algoz, mas ele parecia imbatível, pois seu grupo de suporte estava disposto a tudo. No fim, ao vê-lo vivo depois de ataques que seriam fatais, os meus já cansados, se voltaram contra mim alegando "questão de sobrevivência". Corri, fugi e sozinha ataquei também. Senti as pedras que me jogaram, os cacos de vidro, os golpes com barra de ferro e no fim, senti meu corpo pesado. Caí. Machucada e coberta de sangue. Meu antigo grupo, agora aliado com os rivais do qual lutávamos contra, me e cercou e disseram que por respeito deixariam minha irmã me matar. Naquela altura, eu já estava morta mesmo. Ela vem detrás das pessoas, chorando me abraça deitando também ao chão. Ela chorava pois sabia que precisava me matar. Perguntaram minhas últimas palavras, perguntaram se aquele era o fim, eu disse que não - lembrei do filme jogos vorazes - e ali mesmo, no chão, disse para lembrarmos quem era nosso verdadeiro inimigo. Enquanto estava morrendo, acordei. Dessa vez foi só um sonho.
sábado, 18 de agosto de 2018
Os grandes pequenos passos
Certas coisas na minha vida,
eu pensei que fossem pra sempre,
Ou ao menos, esperei que durassem mais.
Outras terminaram do jeito que começaram
Rápido.
E eu previ o fim.
Agora,
Você,
Você fazia parte do meu futuro.
De algum jeito eu sentia isso,
Esperava que fosse verdade certo acordo que fizemos,
Mas hoje, ele perdeu sentido pra mim.
Eu estou me tornando alguém que talvez eu já devesse ser há mais tempo
Mas não é simples, é doloroso mudar.
Meu processo é lento, cheio de vacilo e recuos,
Mas me sinto grande nos pequenos passos.
Quero ser honesta comigo,
Não aceitar menos do que mereço
Não esperar tanta coisa dos outros
Quero ser apenas igual, segura, horizontal.
Eu estou crescendo,
E ao andar em frente
Sempre deixamos coisas para trás.
Você é a parte difícil porque lhe via no caminho a frente
Não alguém pra deixar,
Alguém para encontrar.
Não é sua culpa minhas expectativas,
Mas, sabe, eu sempre estive tão disponível
Porque não me incomodava estar assim,
Agora, porém, não parece ter sentido colocar você num lugar tão
mais alto
Do que o lugar que tem pra mim
(se é que há um lugar).
Como disse,
Quero ser horizontal
Sem hierarquia de valores
Pensei que eu fosse algo que não sou,
Reitero, contudo, não é sua culpa.
Nós vivemos nossa experiência de um jeito diferente,
Funcionou até aqui,
Não funciona mais.
É duro me despedir,
Ainda mais quando você se quer sabe disso,
Mas estou indo embora.
Achei que pudéssemos seguir do mesmo jeito,
só que isso implica em eu estar sempre na mesma posição:
Disponível
e eu estou afim de me ocupar
De mim, especialmente.
Mais um adeus de gratidão,
Mais um degrau na minha história
Que as pernas tremeram para superar
Pisar
Subir
Andar
E aos poucos,
Esquecer.
Saudades desde já.
![]() |
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
Carta aberta
Eu quase acreditei na culpa de ter feito você sofrer. Quase acreditei ser um caos, uma bagunça, ser insensível. Procurei em mim todos os defeitos de que você me acusava e até encontrei alguns, porém, sempre procurei deixá-los claro a você. Não planejei nada do que aconteceu, eu realmente tinha dúvidas sobre o que sentia. Estar contigo me trazia calma, não te ver, não conversarmos, era muito difícil pra mim, por isso pensei que devia dar-nos uma chance, duas, três, seis... Tarde, bem tarde, percebi que de você eu só queria amizade. Você pode dizer que eu deveria ter me dado conta disso antes, eu também acho, mas não foi assim que aconteceu e não me culpo por isso, precisei de tempo, porém, em todo esse nosso caminho tentei te deixar a par da situação, ser sincera tanto quanto podia, não tinha como lhe dizer o que eu ainda não sabia. Não me culpe por isso. Você me acusou de ter lhe usado para "preencher um vazio", hoje vejo que essa é a tua história, não a minha. Uma pessoa atrás da outra, um amor atrás do outro, exatamente do mesmo jeito. Talvez a ideia de ficar um tempo sozinha seja difícil demais pra você, não sei. Sei que eu não fui ninguém especial para você, como dizia que eu era. Esse seu sentimento parece sempre o mesmo, só muda as peças de lugar. Eu fui uma peça que substituiu a anterior, quem vem depois de mim cumpre a mesma função. Entender isso me deixou livre de toda culpa possível, eu fui o melhor que pude, você talvez tenha sido também. Com gratidão posso encerrar essa história, eu aprendi muito! Especialmente a sempre analisar, em todas as relações, o que é meu e o que é do outro. Obrigada por me ajudar a entender isso.
quarta-feira, 2 de maio de 2018
A S C O
Eu sonhei
Que da minha
boca
Que do céu da
minha boca
Saiu uma
coisa podre
Parecia uma
bola de gude
Parecia um
dente inflamado
Estava tão
podre
Tão nojento
Que quando me
dei conta que fazia parte de mim me assustei por não ter sentido antes
Era um osso
Era uma
esfera
Era preta no
interior
Branca ao
redor
Apodrecendo de
dentro pra fora
O fora
escondia o dentro
Podre.
Eu sinto asco
É como se
quisesse arrancá-la repetidas vezes
Era uma bola
podre que fazia parte de mim
Que estava
dentro de mim
E agora saiu
Por um buraco
pequenininho
Dum espaço tal
qual um dente normal ocuparia
Estava podre
e doeu
Senti arrancar
a raíz
Quando fui
removê-lo senti que estava muito profundo e não sairia sem me deixar lesões
Outros dentes
foram afetados e eu os vi soltos,
Quebrados
Irremediavelmente
danificados
Me apavorei
Chorava nervosa
Pensei que
precisava ligar pra alguém me ajudar a solucionar aquilo
Aquilo que
parecia não ter remédio.
Eu tirei um
dente podre de dentro de mim
“Estava na
minha cabeça”, pensei
“Estava na
minha cabeça e agora conseguiu sair”
Depois,
Um molde
retangular de uma orelha
Eu lembro de
ter visto a versão daquele molde em algum lugar
Não sei se em mim
Ou em
outra pessoa
Só sei que eu já
conhecia.
Pensei
“Como isso
tudo esteve aqui por tanto tempo? Como eu não percebi? Como estão conseguindo
sair por esse buraquinho?”
Era uma bola
podre, dura, esmaltada
Branca por
fora
Podre por
dentro
O podre se
sobressaindo.
E eu
arranquei.
E arranco
todos os dias de novo porque não consegui tirar da cabeça
Nem a imagem
nem aquela sensação
O que há de
tão podre em mim?
Apodrecer por esquecimento
Eu tinha uma
bicicleta
Que nem notei
Quando não
tinha mais.
Quando me
disseram: “doei”
Eu a quis de
novo.
Ela voltou,
esqueci novamente
A história se
repetiu
E outra vez
eu não notei a ausência dela.
Agora,
Tem outra
Que não é
minha, mas quase
Eu olho pra
ela todos os dias
Pneu murcho,
Já desisto.
Acho que
mesmo se estivessem cheios eu desistiria também.
Várias manhãs
eu acordei disposta,
Eu estava ali
E a bicicleta
também,
Não sei
porque eu desisti dela.
Eu tinha uma
cachorrinha,
E igualmente,
esquecia-me dela.
Dias sem
água,
Outros dias
sem comida,
Pelo menos de
minha parte ela não ganhava nada.
Na maioria
das vezes não era por mal,
Eu só
esquecia
Outras vezes
eu a via
E ignorava.
Esperava que
alguém fizesse algo por ela,
Sempre faziam.
Ela morreu.
Nos últimos
dias de vida dela
Eu a vi
sofrer muito, demais
Meu coração
doeu
Doeu por ela
e por mim.
Ela, naquele
estado
Era um retrato
da minha vida
Morrendo por
esquecimento
Sendo comida viva,
Ela estava
apodrecendo por descuido
Igualzinha a
mim.
No final,
Se quer me
senti culpada
Eu estava esperando
que tudo
acabasse logo,
Eu sempre
espero.
E vai acabar.
Como ela,
Podre por
esquecimento.
Ela morreu pela
indiferença
E cada dia eu
morro também.
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