Eu tinha uma
bicicleta
Que nem notei
Quando não
tinha mais.
Quando me
disseram: “doei”
Eu a quis de
novo.
Ela voltou,
esqueci novamente
A história se
repetiu
E outra vez
eu não notei a ausência dela.
Agora,
Tem outra
Que não é
minha, mas quase
Eu olho pra
ela todos os dias
Pneu murcho,
Já desisto.
Acho que
mesmo se estivessem cheios eu desistiria também.
Várias manhãs
eu acordei disposta,
Eu estava ali
E a bicicleta
também,
Não sei
porque eu desisti dela.
Eu tinha uma
cachorrinha,
E igualmente,
esquecia-me dela.
Dias sem
água,
Outros dias
sem comida,
Pelo menos de
minha parte ela não ganhava nada.
Na maioria
das vezes não era por mal,
Eu só
esquecia
Outras vezes
eu a via
E ignorava.
Esperava que
alguém fizesse algo por ela,
Sempre faziam.
Ela morreu.
Nos últimos
dias de vida dela
Eu a vi
sofrer muito, demais
Meu coração
doeu
Doeu por ela
e por mim.
Ela, naquele
estado
Era um retrato
da minha vida
Morrendo por
esquecimento
Sendo comida viva,
Ela estava
apodrecendo por descuido
Igualzinha a
mim.
No final,
Se quer me
senti culpada
Eu estava esperando
que tudo
acabasse logo,
Eu sempre
espero.
E vai acabar.
Como ela,
Podre por
esquecimento.
Ela morreu pela
indiferença
E cada dia eu
morro também.
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