domingo, 17 de junho de 2012

Rotina suicida

Chega um tempo sem que você percebe que o espaço não te cabe mais. Sua casa, seus amigos, sua família, começam a existir sem você. Chega um tempo que dividir o mesmo espaço começa a ser apertado, e o não dividir te faz incompreendido. Suas ideias e desejos não são mais atendidos com a mesma precisão de antigamente, e nem os seus valores valem para alguma coisa. Você tenta ser notado, ser brilhante, mas é tudo em vão. Hoje seus esforços – por mais grandiosos que sejam – não passam de obrigação. Passa o tempo e você começa a mendigar um pouco de audiência, uma gota que seja de “senti-tua-falta” em qualquer telefonema que seja. Você nota que vem dedicando seu tempo e sua força da vital juventude para coisas que nem consegue entender o sentido. Oito horas no trabalho, servindo sabe-se lá quem, vinte e cinco minutos é o que tens de almoço – descontando o tempo de chegar em casa e pegar o ônibus – depois, à noite, mais trinta e três minutos para tomar banho e... jantar? Quem sabe, sem comida sobrevive-se até as vinte e três horas.
Chegar em casa, ganhar no máximo um boa noite dito com má vontade. Largar a bolsa, tomar um café, ver tevê até a meia noite e vinte, escovar os dentes. Dormir, sonhar loucuras... Total viagem! Quem sabe a única parte do dia em que se encontra livre de veras.
Vai enchendo o currículo de experiências e cursos, e secando as páginas do diário. Gostava de escrever, mas hoje não tem mais motivos. Perderam-se os amigos, os fatos épicos, os amores platônicos, e os desejos secretos. Perderam-se o brilho dos olhos, os sonhos intensos, os objetivos traçados e os amores encontrados. Longes pairam as lembranças, quase escassos os momentos em que sorriu de verdade. Tu percebes que estás morta em vida, e que te acostumaste com isso.
A cada dia cria seu mundo, e o pior é que se faz contente com isso, quanto tudo começou estava animada, mas têm coisas que persistem em vê-la triste, deprimida, down total sabe? Acredito que seja ela quem persista nesses sentimentos.
Voltando dois ou três anos se encontra, e se vê diferente. Tão diferente que tem medo de rever os amigos, medo da repreensão, medo de não ser mais como eles a conheceram um dia, medo de não ser mais o seu “eu verdadeiro” hoje perdido, ou nunca encontrado.
Vê-se só. Mesmo com tantos convites, mesmo com tantos corações, está só. Nem tudo ela conta, nem tudo ela quer, mas sabe como ninguém negar-se para a vida. Mas, o que é a vida para ti na verdade? Tuas concepções não se aplicam a ela. Ela é o maior dos mistérios que alguma mente consiga pensar, a incógnita da esfinge que um dia espera se auto-desvendar.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Abre a janela guria


Pelo que você quer ser lembrada por você mesma quando envelhecer? Pelas coisas que fez ou pelo medo que teve? O que tens feito para guardar pro futuro? Você é feliz? Segue o seu sonho e se dá ao luxo de concretizar alguns desejos por menores que sejam? Você tem coragem ou vergonha de ser feliz? Por que te escondes, o que pretendes com isso? Qual o seu medo guria? Tua desculpa antiga já não pode mais ser aceita, pois aquela barreira se findou. Conseguiste o que queria! Mas e hoje guria, o que tu tens feito por ti mesma? Se acha que precisa de um pouco de loucura e anormalidade por que não buscas isso então? Tu nunca foste inconseqüente, mas também não era infeliz. O que te falta guria? Amigos, diversão ou apenas coragem? O que tu busca é mesmo o que queres ou segue um caminho por que dizem ser o certo? Escolheste tua profissão por rebeldia ou amor? Quanto a isso não tens dúvida, mas e resto guria, a tua vida onde é que fica? “Quem muito se ausenta, um dia deixa de fazer falta”, e tua vida está percebendo isso, tu te ausentaste dela.
Volta guria, não a ser o que eras porque as pessoas mudam mesmo não se culpe quanto a isso, mas volta pra felicidade, volta pra viver sabe? Volta para a alegria dos olhos num caminho que se vale à pena seguir. Volta pra ti guria, lembre de te fazer feliz um pouco, fazer bem a ti mesma, tu sabes do que eu estou falando. Abra as janelas guria, por que o sol uma hora se põe, e por mais que as estrelas sejam belas, tu acabarás sentindo falta da luz, e essa luz um dia apaga guria, para sempre.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

queria fazer sua vida parecer interessante aos olhos de alguém. Talvez aos próprios olhos.

 Queria despertar orgulho nos pais e um quê inveja nos amigos, queria ser importante para alguém, e ter alguém importante também. Sonhou que a vida era bela e que se podia chegar ao paraíso. Mas sentia que não estava completa, e cansava de encenar todos os dias, o teatro de uma vida normal.
Se convenceu então que tinha uma boa vida; Um trabalho que lhe dava pleno direito de comprar as melhores roupas, melhores calçados, e até alguns bons discos, mas esses ela não comprava. Gostava de letras não de bandas, era a afirmação que sempre usava. E terminava por acreditar que guardar aqueles trocados do CD em uma poupança poderia vir a ser mais útil. De fato foram, quando a grana viva terminava ela usava o cartão, que é só de débito pois não gosta de prestações. Não gosta de nada que seja necessário o compromisso.
Ela tinha um medo enorme de não honrar esses compromissos, como fazia com os seus "amores". Tinha um, de quem ela queria gostar, mas ela só gostava dele a noite e fim de tarde. De manhã até as 4:30 p.m, ela o detestava. Não queria lembrança, retrato nem planos com ele. Embora esse, fosse sempre o primeiro que ela pensava ao despertar e antes de dormir também.
Rezava todas as noites para que conseguisse amá-lo. Ironia, já rezou tanto para esquecer outros. Mas agora ela implorava por amar apenas um. Chorava ao pensar que nem Deus conseguiria derreter o seu coração e amassar o seu egoísmo. No fundo, ela tinha pena de si mesma. Pena, repulsa, raiva, desanimo, era o que ela sentia quando queria ser mais humana e se envolver de verdade com alguém.
De vez em quando sentia amor profundo por si mesma, se achava linda! A que melhor andava, falava e escrevia. E para alimentar o ego ela listava todos os que já havia conquistado, e sentia um orgulho sombrio por saber que machucou aqueles corações. Na verdade ela sentia inveja, queria conseguir alguém para pelo menos despedaçar o dela, já que nem dor ela conseguia sentir.
Mas no inicio do ano que para ela seria o melhor - segundo concepções imaginadas por ela - acontece de um dos seus príncipes partir. Para sempre. Dele ela sentia falta, foram com ele os melhores planos, foi por quem ela mais sorriu. Estavam distantes já a mais de um ano, mas ela lembrava dele! Queria se parecer com ele para traze-lo de volta. Comprou uma camisa que ele poderia gostar, mas nunca ligou convidando-o para sair.
Quando recebeu a notícia de que ele tinha partido, ela quis partir também e encontrá-lo em algum lugar, mas não era possível. Ficou lá do lado dele, esperando que ele acordasse. Mas não acordou.
Ela guardou a esperança de que ele visse o sofrimento dela, e que visse também a camisa que ela comprou pensando nele, mas os olhos verdes estavam fechados, e ela sabia que era para sempre.
Assim como foi também para sempre a saudade que ela sentiu.
Passaram-se os anos e ela foi feliz, com uma história que ainda não posso contar. Mas nunca deixou de lembrar do seu Pequeno Príncipe, que partira para seu planeta distante. "O Essencial é invisível aos olhos" Ela leu, e da pior maneira, conseguiu entender o que isso significa de verdade.


quinta-feira, 3 de maio de 2012

que os jogos comecem!


Eu não acho justo o que estou fazendo contigo, tu me fala tanta coisa e eu só sei ficar em silêncio, você tem o direito de uma resposta, e a minha resposta é:
Gosto de ti, mas não da mesma forma que você gosta de mim, espero um dia descobrir um amor enorme por você, mas eu não sou uma pessoa boa sabe? Preciso perder, ou sentir que perdi para entender o quanto me faz falta e o quanto é importante. Não quero te prender e nem nada, quero um tempo meu e teu, para por as coisas no lugar, precisamos disso.
Depois que nos tornarmos peças bem modeladas, poderemos começar o nosso jogo, partiremos de um quebra cabeça, para o jogo da paciência, quando enfim chegarmos no fim da trilha, saberemos o que está escrito nessa “faixa de chegada”.
 Nossas flechas já foram lançadas, basta agora vermos aonde elas vão parar.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Melhor amigo


Pegue uma caneta e comece a escrever agora!
 Coloca pra fora tudo o que tu queres. O papel é o amigo silencioso que ouve o teu desabafo. Ele te acolhe sem te criticar. Se quiseres xinga, chora, berra, vomita tua dor e teu ódio nas palavras. Livra-te da raiva a cada linha e comece a escrever uma nova história. Teu caminho é você quem faz e tu deves saber; mas o passado ta feito, já era!
Por isso escreve meu bem, escreve o que te incomoda e mostra pra os outros a tua dor. Compartilha o teu âmago com o mundo, mesmo que esse mundo seja apenas o papel! Não precisa de textos grandes, ou muito menos se fazer entender. As verdades são tuas, a singularidade é que te faz especial. Escreve o que te dá vontade, mas não deixe de escrever. Das melhores dores se fazem os melhores textos, e dos piores momentos as melhores estórias. 


quarta-feira, 28 de março de 2012

Ao príncipe de Tróia


Não sei a minha parte na tua vida, nem a tua parte na minha. Sei que não passaste em vão. “Deus não colocaria uma pessoa na sua vida por acaso” foi a frase que eu li, se esse foi acaso, eu o chamo de destino. 
Não pensei que gostava tanto assim de você. Peço que me perdoe se fiz alguma coisa que te machucou, eu sinto muito, de verdade. Quero dizer eu te amo sem ter culpa, porque amo diferente. Amor divino eu acho. Espero te encontrar um dia e te pegar nos braços com um abraço forte. No momento quero libertar o meu coração desse aperto que tua partida está causando. Não se sinta culpado, eu te amo. Amor puro você sabe... Sei que se tu pudesse enxugaria minhas lágrimas e me faria rir de novo. De qualquer forma as lembranças são capazes de te manter perto ainda. Mesmo não estando aqui, tu não deixará de ser motivo de felicidade nos momentos passados. 
Eu te amo! Quero dizer sem culpa ou medo. Eu te amo e sinto saudade.


domingo, 11 de março de 2012

Prato Principal



Tu estás tão perto que até sinto medo de não me desacostumar de ti. De continuar querendo o que há tempos não me enche. Sou um copo; melhor, um bule. E tu és o meu liquido. O meu chá! Água quente, fervendo por sinal. O que te faz evaporar na medida em que esquentamos de mais. Se te fervo tu somes! O negócio mesmo é ir te cozinhando. Se vejo que a água se foi, coloco mais a tempo de não perder tudo, e te refogo nas lembranças. Você é o meu prato principal.

Te ponho a mesa de manhã. Quando acordo geralmente. E vou sentindo o gosto ao longo da tarde. Já cheguei a quase enjoar sabe? Provei outros temperos, mas o teu ainda é o de sabor melhor. Sei que dizem que “arroz com feijão enjoa”, mas para mim é a combinação insubstituível.
De vez em quando te faço de sobremesa, porque é o mais desejado. Me alimento com a refeição salgada pra sentir depois o teu doce na minha boca. Ah, como eu adoro te provar.
 E como todas as vezes que experimento você, nunca pode ser de mais, pois até mesmo o doce pode causar repulsa, náusea, e fazer com que eu fique tempos sem saborear. E isso eu não quero. Não agora, nem depois.

  Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...