
Tu estás tão perto que até sinto medo de não me desacostumar
de ti. De continuar querendo o que há tempos não me enche. Sou um copo; melhor,
um bule. E tu és o meu liquido. O meu chá! Água quente, fervendo por sinal. O que
te faz evaporar na medida em que esquentamos de mais. Se te fervo tu somes! O
negócio mesmo é ir te cozinhando. Se vejo que a água se foi, coloco mais a
tempo de não perder tudo, e te refogo nas lembranças. Você é o meu prato
principal.
Te ponho a mesa de manhã. Quando acordo geralmente. E vou
sentindo o gosto ao longo da tarde. Já cheguei a quase enjoar sabe? Provei outros
temperos, mas o teu ainda é o de sabor melhor. Sei que dizem que “arroz com
feijão enjoa”, mas para mim é a combinação insubstituível.
De vez em quando te faço de sobremesa, porque é o mais
desejado. Me alimento com a refeição salgada pra sentir depois o teu doce na
minha boca. Ah, como eu adoro te provar.
E como todas as vezes
que experimento você, nunca pode ser de mais, pois até mesmo o doce pode causar
repulsa, náusea, e fazer com que eu fique tempos sem saborear. E isso eu não
quero. Não agora, nem depois.
Às vezes penso que já não a vejo, mas a mim mesmo no corpo dela.
ResponderExcluirGK