domingo, 11 de março de 2012

Prato Principal



Tu estás tão perto que até sinto medo de não me desacostumar de ti. De continuar querendo o que há tempos não me enche. Sou um copo; melhor, um bule. E tu és o meu liquido. O meu chá! Água quente, fervendo por sinal. O que te faz evaporar na medida em que esquentamos de mais. Se te fervo tu somes! O negócio mesmo é ir te cozinhando. Se vejo que a água se foi, coloco mais a tempo de não perder tudo, e te refogo nas lembranças. Você é o meu prato principal.

Te ponho a mesa de manhã. Quando acordo geralmente. E vou sentindo o gosto ao longo da tarde. Já cheguei a quase enjoar sabe? Provei outros temperos, mas o teu ainda é o de sabor melhor. Sei que dizem que “arroz com feijão enjoa”, mas para mim é a combinação insubstituível.
De vez em quando te faço de sobremesa, porque é o mais desejado. Me alimento com a refeição salgada pra sentir depois o teu doce na minha boca. Ah, como eu adoro te provar.
 E como todas as vezes que experimento você, nunca pode ser de mais, pois até mesmo o doce pode causar repulsa, náusea, e fazer com que eu fique tempos sem saborear. E isso eu não quero. Não agora, nem depois.

Um comentário:

  Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...