queria fazer sua vida parecer interessante aos olhos de alguém. Talvez aos próprios olhos.
Queria despertar orgulho nos pais e um quê inveja nos amigos, queria ser importante para alguém, e ter alguém importante também. Sonhou que a vida era bela e que se podia chegar ao paraíso. Mas sentia que não estava completa, e cansava de encenar todos os dias, o teatro de uma vida normal.
Se convenceu então que tinha uma boa vida; Um trabalho que lhe dava pleno direito de comprar as melhores roupas, melhores calçados, e até alguns bons discos, mas esses ela não comprava. Gostava de letras não de bandas, era a afirmação que sempre usava. E terminava por acreditar que guardar aqueles trocados do CD em uma poupança poderia vir a ser mais útil. De fato foram, quando a grana viva terminava ela usava o cartão, que é só de débito pois não gosta de prestações. Não gosta de nada que seja necessário o compromisso.
Ela tinha um medo enorme de não honrar esses compromissos, como fazia com os seus "amores". Tinha um, de quem ela queria gostar, mas ela só gostava dele a noite e fim de tarde. De manhã até as 4:30 p.m, ela o detestava. Não queria lembrança, retrato nem planos com ele. Embora esse, fosse sempre o primeiro que ela pensava ao despertar e antes de dormir também.
Rezava todas as noites para que conseguisse amá-lo. Ironia, já rezou tanto para esquecer outros. Mas agora ela implorava por amar apenas um. Chorava ao pensar que nem Deus conseguiria derreter o seu coração e amassar o seu egoísmo. No fundo, ela tinha pena de si mesma. Pena, repulsa, raiva, desanimo, era o que ela sentia quando queria ser mais humana e se envolver de verdade com alguém.
De vez em quando sentia amor profundo por si mesma, se achava linda! A que melhor andava, falava e escrevia. E para alimentar o ego ela listava todos os que já havia conquistado, e sentia um orgulho sombrio por saber que machucou aqueles corações. Na verdade ela sentia inveja, queria conseguir alguém para pelo menos despedaçar o dela, já que nem dor ela conseguia sentir.
Mas no inicio do ano que para ela seria o melhor - segundo concepções imaginadas por ela - acontece de um dos seus príncipes partir. Para sempre. Dele ela sentia falta, foram com ele os melhores planos, foi por quem ela mais sorriu. Estavam distantes já a mais de um ano, mas ela lembrava dele! Queria se parecer com ele para traze-lo de volta. Comprou uma camisa que ele poderia gostar, mas nunca ligou convidando-o para sair.
Quando recebeu a notícia de que ele tinha partido, ela quis partir também e encontrá-lo em algum lugar, mas não era possível. Ficou lá do lado dele, esperando que ele acordasse. Mas não acordou.
Ela guardou a esperança de que ele visse o sofrimento dela, e que visse também a camisa que ela comprou pensando nele, mas os olhos verdes estavam fechados, e ela sabia que era para sempre.
Assim como foi também para sempre a saudade que ela sentiu.
Passaram-se os anos e ela foi feliz, com uma história que ainda não posso contar. Mas nunca deixou de lembrar do seu Pequeno Príncipe, que partira para seu planeta distante. "O Essencial é invisível aos olhos" Ela leu, e da pior maneira, conseguiu entender o que isso significa de verdade.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
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