domingo, 3 de dezembro de 2023

 

Das certezas breves, uma:
Não me desculpo por quem eu sou.

Desconfio.

Até canso de mim às vezes,

Mas, não me desculpo.

Cada dia mais desinteressante,

E principalmente,

mais desinteressada.

Ninguém vai me dar o fôlego,

Ninguém devolve o que entrego.

Estou empobrecida.

Cada vez mais desconfiada,

De que estou empobrecida.

Que não valho,

Ainda assim,

Não me desculpo.

Não vou pra casa chorar por isso,

Nem choro na rua.

Eu fico sendo enquanto posso,

Porque por ora,

Não consigo ser outra coisa.

De todo modo,

Assim sendo,

Não me desculpo.




 

Satisfiz-me com a ideia de que

Estou permanentemente condenada a insatisfação

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Seguimos de ré

Como se haver com o corpo que se é? Às vezes eu pareço desligada, mecânica e até mesmo, de mentira. Eu me olho de dentro, como alguém que controla (mais ou menos) uma máquina ou que é controlada por ela. É como se eu sempre estivesse fora da experiência e não conseguisse realmente habitar o momento. Estranho demais. Eu tenho memórias que são boas, mas quando retorno aos momentos eu me vejo, novamente, fora deles, como se eu só pudesse vivê-los depois. Eles são mais interessantes e até mais bonitos quando são lembranças. A mente pode mesmo nos romper em pedaços, mesmo que ainda estejamos inteiros. Acho que eu sinto tanta vontade de estar sozinha porque assim eu descubro mais sobre mim e sobre como controlar essa máquina - ou maquinista - e entender mais sobre como coabitam corpo e mente. Às vezes parece que estou presa às regras, por exemplo: "O que eu devo fazer nesse momento?", "É isso que espera-se que eu sinta e viva agora, ok... vou tentar rir/sorrir/chorar/gemer..."

Será que todos os corpos estão harmonizados com suas mentes? Porque as pessoas me parecem tão convictas de serem quem são, da forma que são, sem esse questionamento ininterrupto do que é que esperam de mim??? Acho que isso tem guiado boa parte da minha vida, querer saber o que querem de mim e, sem pensar, apenas fazer. Tenho carregado relações e responsabilidades que não gostaria em cima dessa premissa, "não decepcionar nem magoar ninguém", fod*-se se essa experiência está fazendo sentido pra mim. E então eu me sinto desligada, "pulando de galho em galho" buscando encontrar algo que possa me trazer alguma vida, alguma liberdade e espaço para autonomia. Acho que é isso, encontrei a resposta do porquê estar só é tão bom, não preciso lidar com nada que venha dos outros, não preciso agradar ninguém, nem ouvir ninguém, nem escolher as palavras certas, o momento certo, rir quando não quero rir, gemer quando não quero gemer, tocar quando quero sumir. Acho que desencantei de coisas que não mantiveram meu interesse vivo, mas agora não sei mais como soltar. Eu estou presa. É uma sentença difícil demais. No momento só quero dormir, vomitar o resto da cerveja de ontem e escovar os dentes. Coisas demais, por incrível que pareça, no momento tenho outro compromisso e não posso decepcionar. Seguimos de ré.  

terça-feira, 2 de março de 2021

Meu mais sincero foda-se

Eu quero matar você

Sinto ódio, quero pisar

Triturar

Esmagar

Desejo-te a peste

Desejo que morra sufocado,

Em desespero e sozinho

Desejo que diante de teus olhos passe um filme

Com todas as mortes que você ajudou a causar

Que sinta a dor das famílias

Que sinta a dor de morrer só

Num leito de hospital (na melhor das hipóteses)

Ou num quarto sozinho

Ou agonizando num chão bruto e gelado.

Eu desejo que você pague pelo ódio que estou sentindo

Eu desejo que você pague pela maldade humana

Que te inclui diretamente

EGOÍSTA!

Eu desejo que pague sozinho

O mal coletivo que causou.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

2019

Quero poder me tirar dessa casa que já não moro há mais de um ano
Essa casa onde o sol bateu pela janela,
naquela manhã,
Um dia antes de sabermos que talvez fosse pra sempre
Ou um dia depois
Não lembro a ordem das coisas
Mas lembro das coisas.

Lembro da sensação de acender
Da conexão que é rara 
Quem sabe única
Porque nunca mais foi com ninguém como foi contigo.

Fecho os olhos e lembro das cenas
Tá difícil deixar o nosso ano pra trás.
A minha pele não esquece da tua
Você foi marca que não apaga
Marcou o meu corpo
Os meus sentidos
A minha saudade.

O teu toque tá aqui ainda
Ele não sai com água,
Não sai com vento,
Não sai com o tempo
Não sai de jeito nenhum
E nem ao menos me dá uma trégua
Virou armadura 
Que me protege do presente
Que me protege dos dias
Dos meses
E dos anos que estão passado sem você aqui.

Eu estou transbordando
A tua falta sai pelos poros
Eu sinto dor.
Penso em todo o tempo que perdi
Que perdemos
As coisas mais importantes se tornaram banais
E as banais as mais importantes

Nem todo o dinheiro do mundo pode trazer agora 
O tempo que perdemos
E não há prejuízo maior que alterar o destino.
Poderíamos ser nós
Ou ao menos,
Poderíamos ser uma tentativa.

É triste deixar pra trás essa lembrança
Talvez por isso eu não consiga. 
Você foi de mais 
Ainda é
Mas cabe em mim
E eu não quero que saia
Mesmo que eu seja a única pessoa morando aqui
Nessa casa que é nossa
A casa na minha memória
Atemporal
Feliz
Dolorosa.

A nossa casa na praia 
Que já submergiu 
Mas segue viva 
É presença 
Vive em todo lugar aqui dentro.

Pra ser sincera,
Eu não quero deixar você 
Mas nós já nos deixamos faz tempo
Quando fizemos escolhas erradas
Quando subestimamos o poder da adversidade
Quando confiamos demais no destino
Nós paramos
E nos amparamos nessa força
Na potência que foi o nosso encontro
Como se a nossa vontade por si só daria um jeito 
De organizar nossos caminhos para que se cruzassem de novo
Confiamos nisso
E nos deixamos de lado.

Hoje,
Tarde demais
Ou cedo demais.

Dúvida

Tentamos estar aqui
E acompanhar nosso corpo
A gente sabe,
Cada um se vê nos olhos do outro
Que há pouco de si ali dentro.


Mas a parte que fica
Tenta ficar cada vez mais
E é lindo de ver
A forma como tentamos.


Um trabalha pra convencer o outro
Mas falha consigo mesmo
A pergunta que fica é
Por que ainda tentamos?
O que nos mantém na insistência?
O que nós desejamos afinal?


Nos desejamos na mesma proporção,

Parece pouco
Parece que desejamos mais do que tudo
Desejar um ao outro.

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Eu sinto falta de você
e não sei onde foi
que nossos estranhamentos se cruzaram
mas tem algo em ti
que me faz
não deixar pra lá.


Eu vejo teus olhos e,
sim,
compará-los com o mar é clichê
o que não é tão óbvio
é o jeito que mergulho neles


Teus olhos são

campo de atração
assim como todo o resto


Você é imensidão
E eu tenho medo,
me perco entre pânico e vontade,
Mas quis te conhecer em detalhes...


Lembro do desejo em minhas mãos
quando toquei tua pele
das poucas vezes que toquei a tua pele
Tem vezes que fecho os olhos
pra trazer essas memórias que meu corpo guarda
para poder imaginar
você comigo
Então te sinto aqui
inteira,
intensa
o prazer é visceral
e machuca também.
Até o mundo da fantasia dói
E dói porque você está distante
longe demais pra mim
mas não o bastante pra ser indiferente.


Penso em outro clichê:
eu sou a Terra
e a Lua é você.
384.400 km distante
me afetando diretamente



Penso também 
em tudo que quis fazer contigo
em tudo que ainda quero
e me retiro de mim mesma
para ver se esqueço um pouco.
"Não vai acontecer", repito
mas o desejo é livre demais para eu poder convencê-lo
e sigo te desejando sem meu o consentimento. 



sábado, 1 de junho de 2019

Aos felizes não cabem poemas

A tristeza deve servir às palavras
Assim como a solidão lhes serve.
Pessoas felizes não escrevem poemas
Desse remédio elas não sentem o gosto,
Porque suas bocas estão cheias,
Fartas de regozijo.
E essa alegria que lhes escorre dos lábios,
As torna leigas aos poemas
E aí me cabe o consolo,
De que a mim eles fazem sentido.

Quando mergulho nas palavras de Fernando Pessoa, ele é
Ao mesmo tempo,
mar que me afoga e bote que me salva.
E ao colocar-me diante do espelho com seus versos
Eu me sinto menos menos sozinha
E só nessas horas me aproximo um pouco das pessoas felizes.
Meus pedaços quebrados,
Com os dele conversam bem
E é tão bom que alguém tenha colocado em palavras -
Há mais de meio século atrás -
As coisas que meu coração sente.

As pessoas felizes tem outras pessoas felizes.
Eu, pessoa sozinha, tenho o meu poeta Pessoa.
Então, uma gota daquele regozijo que escorre farto da boca dos felizes,
cai sobre meus lábios também.
Mesmo não sendo tão doce,
Me alimenta e eu posso ser grata às palavras,
Porque minha tristeza à elas serve e elas servem a mim.
E isso, os felizes nunca entenderão

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Baseado em sonhos reais

19 de out, 3:32 am

Eu acabei de acordar de um pesadelo e estava com medo de me virar para pegar o celular. Era tanto medo que parecia que o mau estava ali, ao meu lado. Geralmente, quando isso acontece, é porque sonhei com espíritos ou demônios, mas dessa vez, meu medo era de pessoas, não mais nem menos do que seres humanos. Parecia que estavam aqui, rondando minha cama. No meu sonho eu e uns conhecidos lutávamos numa guerra civil, queríamos impedir um homem, com ideias absolutamente anti-dignidade-humana de governar. Eu, junto com eles, fugia de outros conhecidos que queriam nos matar. Nesse cenário, eu vi amigos morrendo e matando e vi que chegamos perto, bem perto de barrar nosso algoz, mas ele parecia imbatível, pois seu grupo de suporte estava disposto a tudo. No fim, ao vê-lo vivo depois de ataques que seriam fatais, os meus já cansados, se voltaram contra mim alegando "questão de sobrevivência". Corri, fugi e sozinha ataquei também. Senti as pedras que me jogaram, os cacos de vidro, os golpes com barra de ferro e no fim, senti meu corpo pesado. Caí. Machucada e coberta de sangue. Meu antigo grupo, agora aliado com os rivais do qual lutávamos contra, me e cercou e disseram que por respeito deixariam minha irmã me matar. Naquela altura, eu já estava morta mesmo. Ela vem detrás das pessoas, chorando me abraça deitando também ao chão. Ela chorava pois sabia que precisava me matar. Perguntaram minhas últimas palavras, perguntaram se aquele era o fim, eu disse que não - lembrei do filme jogos vorazes - e ali mesmo, no chão, disse para lembrarmos quem era nosso verdadeiro inimigo. Enquanto estava morrendo, acordei. Dessa vez foi só um sonho.


sábado, 18 de agosto de 2018

Os grandes pequenos passos


Certas coisas na minha vida,
eu pensei que fossem pra sempre,
Ou ao menos, esperei que durassem mais.
Outras terminaram do jeito que começaram
Rápido.
E eu previ o fim.

Agora,
Você,
Você fazia parte do meu futuro.

De algum jeito eu sentia isso,
Esperava que fosse verdade certo acordo que fizemos,
Mas hoje, ele perdeu sentido pra mim.

Eu estou me tornando alguém que talvez eu já devesse ser há mais tempo
Mas não é simples, é doloroso mudar.
Meu processo é lento, cheio de vacilo e recuos,
Mas me sinto grande nos pequenos passos.

Quero ser honesta comigo,
Não aceitar menos do que mereço
Não esperar tanta coisa dos outros
Quero ser apenas igual, segura, horizontal.

Eu estou crescendo,
E ao andar em frente
Sempre deixamos coisas para trás.
Você é a parte difícil porque lhe via no caminho a frente
Não alguém pra deixar,
Alguém para encontrar.
Não é sua culpa minhas expectativas,
Mas, sabe, eu sempre estive tão disponível
Porque não me incomodava estar assim,
Agora, porém, não parece ter sentido colocar você num lugar tão mais alto
Do que o lugar que tem pra mim
(se é que há um lugar).
Como disse,
Quero ser horizontal
Sem hierarquia de valores
Pensei que eu fosse algo que não sou,
Reitero, contudo, não é sua culpa.
Nós vivemos nossa experiência de um jeito diferente,
Funcionou até aqui,
Não funciona mais.
É duro me despedir,
Ainda mais quando você se quer sabe disso,
Mas estou indo embora.
Achei que pudéssemos seguir do mesmo jeito,
só que isso implica em eu estar sempre na mesma posição:
Disponível
e eu estou afim de me ocupar
De mim, especialmente.

Mais um adeus de gratidão,
Mais um degrau na minha história
Que as pernas tremeram para superar
Pisar
Subir
Andar
E aos poucos,
Esquecer.
Saudades desde já.


segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Carta aberta

Eu quase acreditei na culpa de ter feito você sofrer. Quase acreditei ser um caos, uma bagunça, ser insensível. Procurei em mim todos os defeitos de que você me acusava e até encontrei alguns, porém, sempre procurei deixá-los claro a você. Não planejei nada do que aconteceu, eu realmente tinha dúvidas sobre o que sentia. Estar contigo me trazia calma, não te ver, não conversarmos, era muito difícil pra mim, por isso pensei que devia dar-nos uma chance, duas, três, seis... Tarde, bem tarde, percebi que de você eu só queria amizade. Você pode dizer que eu deveria ter me dado conta disso antes, eu também acho, mas não foi assim que aconteceu e não me culpo por isso, precisei de tempo, porém, em todo esse nosso caminho tentei te deixar a par da situação, ser sincera tanto quanto podia, não tinha como lhe dizer o que eu ainda não sabia. Não me culpe por isso. Você me acusou de ter lhe usado para "preencher um vazio", hoje vejo que essa é a tua história, não a minha. Uma pessoa atrás da outra, um amor atrás do outro, exatamente do mesmo jeito. Talvez a ideia de ficar um tempo sozinha seja difícil demais pra você, não sei. Sei que eu não fui ninguém especial para você, como dizia que eu era. Esse seu sentimento parece sempre o mesmo, só muda as peças de lugar. Eu fui uma peça que substituiu a anterior, quem vem depois de mim cumpre a mesma função. Entender isso me deixou livre de toda culpa possível, eu fui o melhor que pude, você talvez tenha sido também. Com gratidão posso encerrar essa história, eu aprendi muito! Especialmente a sempre analisar, em todas as relações, o que é meu e o que é do outro. Obrigada por me ajudar a entender isso.

quarta-feira, 2 de maio de 2018

A S C O


Eu sonhei
Que da minha boca
Que do céu da minha boca
Saiu uma coisa podre
Parecia uma bola de gude
Parecia um dente inflamado
Estava tão podre
Tão nojento
Que quando me dei conta que fazia parte de mim me assustei por não ter sentido antes
Era um osso
Era uma esfera
Era preta no interior
Branca ao redor
Apodrecendo de dentro pra fora
O fora escondia o dentro
Podre.
Eu sinto asco
É como se quisesse arrancá-la repetidas vezes
Era uma bola podre que fazia parte de mim
Que estava dentro de mim
E agora saiu
Por um buraco pequenininho
Dum espaço tal qual um dente normal ocuparia
Estava podre e doeu
Senti arrancar a raíz
Quando fui removê-lo senti que estava muito profundo e não sairia sem me deixar lesões
Outros dentes foram afetados e eu os vi soltos,
Quebrados
Irremediavelmente danificados
Me apavorei
Chorava nervosa
Pensei que precisava ligar pra alguém me ajudar a solucionar aquilo
Aquilo que parecia não ter remédio.
Eu tirei um dente podre de dentro de mim
“Estava na minha cabeça”, pensei
“Estava na minha cabeça e agora conseguiu sair”
Depois,
Um molde retangular de uma orelha
Eu lembro de ter visto a versão daquele molde em algum lugar
Não sei se em mim
Ou em outra pessoa
Só sei que eu já conhecia.
Pensei
“Como isso tudo esteve aqui por tanto tempo? Como eu não percebi? Como estão conseguindo sair por esse buraquinho?”
Era uma bola podre, dura, esmaltada
Branca por fora
Podre por dentro
O podre se sobressaindo.
E eu arranquei.
E arranco todos os dias de novo porque não consegui tirar da cabeça
Nem a imagem nem aquela sensação
O que há de tão podre em mim?

Apodrecer por esquecimento


Eu tinha uma bicicleta
Que nem notei
Quando não tinha mais.
Quando me disseram: “doei”
Eu a quis de novo.
Ela voltou,
esqueci novamente
A história se repetiu
E outra vez eu não notei a ausência dela.
Agora,
Tem outra
Que não é minha, mas quase
Eu olho pra ela todos os dias
Pneu murcho,
Já desisto.
Acho que mesmo se estivessem cheios eu desistiria também.
Várias manhãs eu acordei disposta,
Eu estava ali
E a bicicleta também,
Não sei porque eu desisti dela.

Eu tinha uma cachorrinha,
E igualmente, esquecia-me dela.
Dias sem água,
Outros dias sem comida,
Pelo menos de minha parte ela não ganhava nada.
Na maioria das vezes não era por mal,
Eu só esquecia
Outras vezes eu a via
E ignorava.
Esperava que alguém fizesse algo por ela,
Sempre faziam.
Ela morreu.
Nos últimos dias de vida dela
Eu a vi sofrer muito, demais
Meu coração doeu
Doeu por ela e por mim.
Ela, naquele estado
Era um retrato da minha vida
Morrendo por esquecimento
Sendo comida viva,
Ela estava apodrecendo por descuido
Igualzinha a mim.

No final,
Se quer me senti culpada
Eu estava esperando
que tudo acabasse logo,
Eu sempre espero.
E vai acabar.
Como ela,
Podre por esquecimento.
Ela morreu pela indiferença
E cada dia eu morro também.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Ontem

Só ontem
Escrevi e apaguei a mesma mensagem
Várias vezes
Estava te pedindo desculpa pelas minhas atitudes nos últimos dias
Eu queria me livrar
Da falta.
Queria acreditar que estou melhor agora
Que tudo já foi superado assim,
rápido
Mas não foi.
Falei tanta coisa
Coisas ruins de mais
Mas não consegui me convencer,
Não funcionou.
Eu sigo sentindo tua falta.
Tenho pensado mais em você do que achei que pensaria
Às vezes só quero te contar as coisas que estou passando
As coisas que estou pensando
E ouvir o mesmo de você.
Só um abraço
Pra eu sentir tua paz de novo
A paz que eu sentia contigo
O mundo desaparecia
E você me acolhia na ausência dele.
Meus dias sem você são desamparo
Mas sei que não posso pedir nada.
Eu gosto mesmo de você
Mas há tempos sei que só isso não é o suficiente
Deveria ser mais fácil partir
Mas não é.

sábado, 7 de abril de 2018

Amou todas do mesmo jeito
Tratou todas do mesmo jeito
Sofreu por elas
Do mesmo jeito
E quer dizer
que comigo foi diferente?
Se você olhar pra trás
É como olhar pra frente


E eu quase acreditei.

sábado, 31 de março de 2018

O melhor do pior de mim


Eu fico pensando no que passamos juntos
e no que passamos sozinhos também...

Quase dois anos e ainda percebo tua influência em mim.
Eu sempre quis ser você
E hoje, parecer contigo
É meu maior medo.
Tu continuas sendo pra mim
Extremamente,
Absolutamente
Admirável.
Mesmo depois de tudo que passei
Depois de tudo que passamos
Não consigo te esquecer.

Talvez seja uma bênção
Para eu sempre lembrar
De não querer me tornar
você
Como já quis.

Hoje tenho de pedir perdão pra ela
Por ter demorado pra perceber
O que eu realmente queria
E também o que eu não queria.
Sou fruto do que tu me fizeste
Mas não quero continuar espalhando essa semente

Você foi uma praga
Um parasita do melhor de mim.
Se instaurou,
Se alimentou,
Me destruiu
Fugiu.

E eu fiquei pensando que a culpa era minha
Você é tão legal, afinal
Por que iria querer ficar comigo?
Uma louca de ciúmes,
Triste e apaixonada
Que só pensava em ti e mais nada?
Que sofria toda vez que você mentia,
Quando dormia
Com outras,
Quando saia
Com outras,
Quando queria
Outras.
Sempre mentindo, sempre mentiu.
Ou eu que sempre exagerei tudo
Você me devastou
E sei que não se importa com isso
e o que eu não quero
É me transformar nisso
Nesse monstro,
Nesse lixo
Irreciclável.

Eu não quero mentir,
Não quero ser você
E se é por isso
Que ainda sonho contigo
Então que fique
Então que fique cada dia mais
E seja o meu exemplo
De mau exemplo
De alguém pra não ser
Igual.

Mas eu te amei
E te odeio por isso.
Eu te odeio por ter ido
E ficado mesmo assim.
Tem coisas que são pra sempre
Mesmo que acabem.

Nós não acabamos.
Ou melhor,
Eu não acabei com você, ainda.
Quero sair dessa experiência
Aprendendo tudo que posso aprender
Vou tirar de ti tudo o que puder.

Eu
Te admiro,
Te odeio,
Te amo.
Te odeio outra vez.
Eu
Ainda não sei
Até onde sigo ligada a você.
Eu
Ainda não sei
Se tu foi o mal
Ou o bem.
Eu
Ainda não sei
Qual parte tua esqueci
E qual parte tua me tornei.
Eu
Ainda não sei
Se quero que morras
Ou vivas em mim.
Eu
Ainda não sei
Se aprendi
Ou me transformei
Em ti.

Não quero ser tão tua
Pois nada é mais seu
Do que você mesmo.
Se me pertenço
Sinto que me pertenço mais
Ao lembrar de ti
Você é minha referência
De egoísmo
De ausência
Você é parte ruim do que fiz com ela
Mas desfiz em tempo
De causar menos danos.
Eu, ao menos,
Fui sincera.

Sou a versão
Que merecia de ti
Mas até que ponto isso seria suportável?
Eu
Não sei
Porque ainda
Está aqui.


M         E                     D         E         I           X         A                     I           R

T          E                     D         E         I           X         A         R                     I           R


Pra onde?
Se a versão tua que guardo
Só eu conheço?
Se eu esqueço
Morrerás.

Eu quero que morras
Não quero que morras.
Ambivalência.
Honesta dualidade.
Eu te amei,
Hoje me amarias também
Você não faz ideia
De como te roubei
Guardei
Copiei
Melhorei
Sou quem eu gostaria que fosse
Eu sou quem você gostaria que eu fosse.
E hoje
Quero te reencontrar
Em outro.
Mas antes
Seguindo os teus passos
Aprendo
A encontrar a mim mesma.

Obrigada?
Não, não a você.

Eu te venero
Eu te odeio
Eu te amei.
Eu ainda sinto tanto
Que não sei o que dizer.
E também já não sinto nada
Porque inventei você
E só o que posso amar daqui pra frente
É a verdade.


quarta-feira, 28 de março de 2018

Que linha liga o teu S I N T O M A ao meu?

Os dias que passaram
Não sei se soltaram
Ou apertaram mais
Esse laço,
Essa linha,
Que liga o teu sintoma ao meu.
Quem somos, afinal?
Duas pessoas paradas no tempo
Em estações diferentes.


Onde se encontram nossas ausências?


Já escrevi tanta coisa
procurando um jeito pra dizer
que eu
me sinto responsável por você.
Queria te apresentar a menina que conheci
Você não daria tão pouco valor a ela
Se a visse com os meus olhos.

Às vezes 
queria entrar num trem
Que me levaria de volta pra ti,
Outras vezes acho
Que ainda não sai dele.

Por que você insiste em comprar sempre a mesma passagem?
O valor do teu bilhete é tão caro!
Pelo menos, eu acho.
Mas talvez não o seja pra você.
Um ano, dois ou dez
Qual a diferença?
Se há outros que viajam contigo
Várias e várias vezes
Sempre para o lugar?
(in) Segurança.
E isso me incomoda.
Deve ser porque diz mais sobre mim
Do que sobre você.

E como cortar esse laço?

terça-feira, 27 de março de 2018

Eterna repetição.

Ela é tão linda para estar andando em círculos
Círculos que não tem espelho
E não mostram isso a ela.
Eu me preocupo, mas tenho medo
De andar em círculos também.

Você me provoca esperando resposta,
Mas não há mais motivos pra discussão.
Acho que seu problema não está  em começar
Mas em encerrar coisas
Eterna repetição.

Aonde você quer chegar?
Ou será que já chegou onde queria?
Tento não me preocupar com isso,
Já não é mais questão minha
Ou, ao menos,
Não deveria ser
Cada um escolhe pra si,
A vida que quer viver.
Mas sabe,
Você é tão linda para andar em círculos...

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