quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ela

     Enquanto a cidade dorme ela sai, cidade pequena, gente menor ainda, ela se sente cansada por estar sempre ali. Queria encontrar o que não sabe direito a quanto tempo perdeu.
     Mesma roupa, mesmo cheiro, cabelo despenteado... gente toda igual. Anda pela rua sem destino. Está só! A essa hora só encontra o que sobrou do lixo humano atirado pelas calçadas daqueles bares com cheiro de cigarro e álcool, ela não sabe se é salvação ou suicídio, ainda assim resolve ficar; já não tem mais nada para perder. Pede uma dose de bebida barata, qualquer coisa servia naquela hora. Ouviu dizer que o álcool é o melhor remédio para esquecer. Ela tentaria então.
     Estava num lugar onde ninguém pensou que a encontraria, era tanta gente de mal cheiro, alguns não tinham os dentes, outros vestiam-se com roupas sujas, maioria sem dinheiro, alguns pareciam nem ter vida. Mas foi naquele momento, no lugar que poderia ser chamado de limbo, com almas andarilhas sem rumo, sem caminho, sem esperança aguardando o apocalipse, e enfim o julgamento, que ela encontrou a paz.
    Ah sim, a vida escolhe como quer ensinar, e aos poucos ela foi vendo que era tão pequena quanto eles, esqueceu o orgulho e a dor, abandonou os pensamentos medos sonhos tudo! E continuou a beber, mas agora estava calma, e encontrou o que perdeu... Saboreava a quietude do seu espirito, e a leveza de seu corpo. Estava em fim feliz. Oh sim, estava bem!


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