sábado, 17 de setembro de 2011

Não me prenda

E só senti que deveria ficar ali, fazendo bem para ele, que já não fazia tão bem a mim. Seu toque não era  o mesmo, e não era por falta de desejo, mas sim porque já não havia mais amor. Senti certa repulsa por instantes, mas não poderia abandonar quem por muito tempo aqueceu o lado mais sombrio de meu coração, e do meu corpo também. Um homem adorável, que me daria o mundo se eu pedisse, lamentável eu não poder pedir!
Aqueles olhos que brilhavam ao me ver, mal apenas sabiam que o que satisfaz meus anseios são as conquistas e não o que conquistei. Eu o tive, era isso. Fomos um do outro, fomos um e outro, fomos um. Seu erro foi ser o melhor da minha vida, foi ser o melhor de todos! Perfeição é cansativa, e cuidado de mais é insegurança.
De leve o destino foi nos separando, e de leve fui deixando isso acontecer, assim como as folhas que caem, deixei cair o resto que ainda guardei dele, o resto que não era mais suficiente para continuar. Passado hoje longínquo, não afeta nem um nem outro. História que eu sei, querendo ou não vai se repetir, mas enquanto isso, eu deixo e sigo. Livre como é e sempre será de meu querer.


sábado, 27 de agosto de 2011

Um amor

Era uma vez um amor
um graaaaande amor


Que de tão tão grande
Tão tão alto, se desequilibrou.


E ao se desequilibrar caiu
E ao cair quebrou
E ao quebrar morreu


Fim!

domingo, 14 de agosto de 2011

- Maria de Fátima você enlouqueceu?


- Sim mamãe, e por isso estou livre!

Eu's


     São tantas idéias, tantos desejos, tantas vontades que nem se quer sei o que realizar primeiro, sei apenas que eu quero! Vou mergulhar no desconhecido para chegar onde o destino quer que eu chegue. Vou lutar por coisas absurdas às mentes humanas, vou ter amores espalhados pelo mundo, vou ser o amor de alguém. Vou ter sucesso onde passar, e cada vez mais sede de ser tudo, de ser todos. Deixarei com que a arte fale por mim, e que meu coração seja o mestre do meu corpo, vou expressar a linguagem do mundo, vou cantar para o Universo. Serei grata por ser eu, por ser mais, por ser Deus. Serei grande em passos pequenos, serei os meus sonhos. Serei o que me convém a cada momento. Dar-me-ei à vida, e viverei cada entrega, cada dia, cada momento, cada Eu.


sexta-feira, 22 de julho de 2011

Distante...

Porque você não conseguirá comprá-la com todo o seu coração, você não conseguirá tê-la com todas as suas palavras, sejam elas sedutoras ou não, verdadeiras ou não, sentidas ou não. Você não conseguirá convence-la de que o amor existe de verdade, porque até mesmo ela já tentou se convencer disso. Você jamais saberá o que é possuir seus sentimentos, sentir o seu calor, ou acariciar seus cabelos. Ela está distante, de todos e de si, distante de mais para algum sentimento alcançar. Ela até tenta abrir um pouco mais da janela de seu lar, tenta deixar que a luz entre, mas a muito tempo que não vê o sol, tem muito tempo que vive no frio, e tem muito mais tempo que se acostumou com isso.
     Não se sente sozinha, nem triste nem mal, apenas vazia. Preenche seus espaços com lembranças que não existem, e se ilumina com a luz dos outros, e vive para o caminho dos outros, observa o quanto pode, doa-se com tudo o que tem, sem se deixar ganhar nada. Ela não quer, e se quer não tenta, não busca. Mas o que há para fazer? Ela já se convenceu que sozinha se completa.

Máscaras

Deixem que elas caiam, uma a uma, revelando o que há por trás, revelando o que há de verdade...

 Em fila seguem todos, são muitos, mas agem igual. Leem jornal, sabem de tudo - ou pensam que sabem - compram carros, compram roupas, vendem almas. É assim, tudo igual. Triste rotina de acordar, escovar-se tomar café, trabalhar, almoçar, trabalhar de novo, chegar em casa, jantar dormir para continuar o ciclo vicioso. Não eles não se cansam, nem se quer percebem pois não tiram as cascas, não saem dos casulos. Por que não derrubam as máscaras?
 Simples, foram educados para viver assim, e já não sabem mais agir de acordo com suas vontades, sem os pensamentos em série, a criação em massa sem as mãos dos manipuladores. Sociedade não é mais do que uma fábrica de gente igual, de padrões irracionais, de mentalidades pequenas, pessoas modeladoras de cérebro alheio, de idéias alheias.
Mas é assim, a vida não para e tempo é dinheiro. Sem felicidade aprendemos a viver, mas sem a matéria não. Corram, não há tempo a perder! Pobres humanos, podem ter tudo mas correm atrás do nada. Querem pegar o vento, querem deixar a vida de lado...
Bom, não há tempo para se falar disso. É hora de trabalhar, trabalhar, trabalhar...

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ela

     Enquanto a cidade dorme ela sai, cidade pequena, gente menor ainda, ela se sente cansada por estar sempre ali. Queria encontrar o que não sabe direito a quanto tempo perdeu.
     Mesma roupa, mesmo cheiro, cabelo despenteado... gente toda igual. Anda pela rua sem destino. Está só! A essa hora só encontra o que sobrou do lixo humano atirado pelas calçadas daqueles bares com cheiro de cigarro e álcool, ela não sabe se é salvação ou suicídio, ainda assim resolve ficar; já não tem mais nada para perder. Pede uma dose de bebida barata, qualquer coisa servia naquela hora. Ouviu dizer que o álcool é o melhor remédio para esquecer. Ela tentaria então.
     Estava num lugar onde ninguém pensou que a encontraria, era tanta gente de mal cheiro, alguns não tinham os dentes, outros vestiam-se com roupas sujas, maioria sem dinheiro, alguns pareciam nem ter vida. Mas foi naquele momento, no lugar que poderia ser chamado de limbo, com almas andarilhas sem rumo, sem caminho, sem esperança aguardando o apocalipse, e enfim o julgamento, que ela encontrou a paz.
    Ah sim, a vida escolhe como quer ensinar, e aos poucos ela foi vendo que era tão pequena quanto eles, esqueceu o orgulho e a dor, abandonou os pensamentos medos sonhos tudo! E continuou a beber, mas agora estava calma, e encontrou o que perdeu... Saboreava a quietude do seu espirito, e a leveza de seu corpo. Estava em fim feliz. Oh sim, estava bem!


domingo, 10 de julho de 2011

Quer entorpecer-se de álcool, de drogas, de amor. Quer ficar entre as ruas esperando o que a sorte não lhe trouxe, a coragem. Quer encontrar dentro de si a mulher, a escrava, a guerreira, iluminada ou bruxa. Não sabe que rumo lhe leva o seu destino e os seus desejos. Têm em cada palavra o veneno, tem em cada gesto intensões, tem no olhar o perigo, nos sentimentos o medo. Sente fria a alma, longe os pensamentos, e o coração? Ah, esse nem sente mais. Indo-se a cada dia, a espera de tudo e ao encontro do nada.

domingo, 5 de junho de 2011

éramos

Pode ser que eu carregue ainda lembranças do que devia ter ficado para trás, vezes lembrança, vezes culpa, sempre fardo. É difícil  perder aquilo que se cuida com carinho, porque as tratou com rigor.
Vivo com a ilusão de ainda poder existir em tuas lembranças, mas acredite, só queria mesmo lhe dizer adeus da forma que nos despedimos quando eu ainda pensei que fosse para sempre. Com todo o calor do abraço, com todo o brilho nos olhos, e com a doce calma que a tua voz me trazia, inteiramente nós! Não haverão palavras capazes de dizer que o que eu quero é um espaço dentro daquilo que acabou, uma certeza de que alguma forma serei pra sempre uma parte da tua história. Só queria saber se algum dia te fiz feliz, te fiz sentir, te fiz amar.
Eu estou entregando aos poucos, o que de melhor eu tenho, o vago e suave abraço que meus braços ainda sentem, a melhor forma de esquecer é tentar parar de sentir. E acredito que um dia, tudo que eu escrevo pra você poderá levar aos poucos o amor que ficou guardado, e acabou por se perder no tempo. Mas mesmo assim, posso dizer que sentirei saudade.

  Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...