segunda-feira, 21 de março de 2016

Cortem-me a cabeça!

Disse a Rainha Vermelha
"Corte-lhe a cabeça"
Para a ameaça sentida.
Seria uma ameaça verdadeira ou imaginada?
Mas isso não teria importância
depois da cabeça cortada.
"É melhor ser temida do que ser amada".


Só pude notar depois
Que a Rainha Vermelha tinha medo da solidão
Mas essa fragilidade ela mantinha disfarçada,
Se alguém lhe afrontasse
Teria a cabeça cortada
E por medo disso,
toda a plebe lhe bajulava.
Mas só diante de seus olhos,
Nas suas costas eram diferentes
E dela sentiam ódio.

Da Rainha escondiam coisas
Para não provocar a sua fúria
Conheciam o seu ego,
Que tão grande quanto a cabeça
Era capaz de loucuras!


Quando penso nela,
Não sinto mais do que pena
Sua cabeça era imensa
Por estar cheia de problema.
A Rainha era louca,
Tomada de paranóia!
Usava do poder que tinha
para manter a sua "glória",
Uma glória baseada
Em tudo que sua mente criava.


No fim das contas, coitada,
A guerra perdeu e foi destronada.
Percebeu finalmente
Que foi derrotada por seu pensamento doente,
Viu que sua mente lhe ameaçava mais
do que toda aquele gente,
Se havia uma cabeça a ser cortada
Era a dela.





segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Legião



Quando você sente saudade de alguém não é exatamente o outro que te faz falta, mas sim, tudo o que você atribuiu a ele, construiu e viveu com ele. Você sente falta de como ri com ele, de como se sente quando abraça ou beija, da forma como caminham juntos, das bobagens e brincadeiras que só vocês sabem... Sente falta da companhia e do prazer que estar junto oferece. Na medida em que o tempo passa e você conhece mais a pessoa que está do seu lado, algumas coisas vão se revelando e a maneira como você conduz cada nova descoberta pode determinar se vocês podem ou não ficar juntos, ou mostra ao menos até onde ambos estão dispostos a ir por isso. No começo, cada um se esforça para mostrar apenas o seu melhor lado, às vezes ficam sem jeito, cuidam com as palavras, procuram não magoar a outra pessoa e até mentem ou escondem coisas para não “fazer sofrer”, ou talvez, para não perdê-la (como se pudéssemos realmente possuir alguém). Enfim, o ponto que pretendo chegar é que, uma hora ou outra o lado secreto, obscuro, ruim de cada um vai aparecer. Esse lado por vezes se manifesta sutilmente, num olhar, no tom de voz e até mesmo na forma de respirar, a gente percebe, mas conscientemente ignora por medo de desmanchar a figura que idealizou, por medo de que aquele objeto de desejo pode não ser exatamente quem você pensa que é, até que um dia esse lado secreto explode, escancara, arrebenta as barreiras que você ou quem está contigo criou para proteger tanto você, quanto ele mesmo, pois os dois temem perder um ao outro. É nessa hora que você precisa ver até onde se dispõe a ir por e com a pessoa que gosta. Os que souberam conduzir essas “explosões” – creio eu – amaram ainda mais o seu alguém. Tiveram paciência, coragem e amor, o mais sincero amor para dar a mão também ao Lobo que habita em cada um de nós. E o que estou falando aqui não é de um amor comercial, esse não venceria tal provação, pois é covarde e precisa dizer que existe, precisa dizer que ama para poder ser visto e no meio de tantas palavras, não sobra espaço para o sentimento real, visceral, sincero. Vejo hoje muito “eu te amo”, está por todos os lados! Mas o amor de fato eu não tenho encontrado. Não sei onde foi que nos perdemos, nós, enquanto espécie, enquanto seres que sentem. Quando foi que nos tornamos tão hipócritas e egoístas a ponto de comercializar nossas emoções e não aceitar que não somos e que não há ninguém perfeito? A ponto de querer condenar o outro por não corresponder as nossas expectativas? Sei que esse texto não termina do jeito que começou, mas não há linhas de começo, meio e fim quando falamos sobre nossos sentimentos, há apenas o desejo de tentar exorcizar os pensamentos, de “jogá-los para fora”, de tentar organizar o caos chamado subjetividade que nos torna tantas pessoas vivendo em uma só. Creio eu que seja o encontro dessas tantas pessoas, com as tantas pessoas do outro que torna alguns sujeitos mais especiais do que outros, quem sabe nessa legião alheia não esteja também uma parte nossa habitando no outro, assim como, uma parte alheia habitando em nós.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Procuro um poema



Procuro um poema para falar da saudade de quem ainda não foi,
Para falar de alguém que traz a tranquilidade na sua presença e está presente mesmo na ausência, em meus pensamentos.
Procuro um poema que traduza a incompletude de um ser quando está longe de outro, um poema que fale dessa vontade de fundir-se ao outro, de introjetar aquela figura que dentre tantas coisas, é a paz.
Procuro um poema para mostrar o quanto tenho tentado escrever sobre quem me deixa sem palavras, e por vezes, sem ar. 

Sobre quem tira os meus pés do chão quando se aproxima, que me deixa com riso leve e brilho nos olhos. Um poema capaz de levar a ele o mesmo bem que ele me traz.
Procuro um poema que não fale de obsessão, mas de cumplicidade.

Quero algo tão bem escrito que aqueça quem lê como as mãos dele me aquecem, que confortem como o abraço dele conforta e animem como as palavras e o jeito dele me animam, me encorajam. 
Procuro um poema que não fale só de amor, mas de gratidão, se alguém souber, aceito indicação.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

ZOAR O "POVO DE HUMANAS", UM GOLPE REACIONÁRIO VELADO


Usuários de maconha que estudam pouco (ou nada), não sabem calcular e vivem de artesanato. De quem estou falando? Dos estudantes de humanas, é claro. Quem nunca fez piada com um amigo ou colega ou riu de si mesmo por não ser da área das exatas (usando por vezes a graduação escolhida como desculpa por não saber calcular troco), eu mesma várias vezes me vi rindo e reproduzindo piadas do tipo sem se quer refletir sobre essa atitude, porém, após uma provocação em aula sobre tal visão do “povo de humanas”, percebi que a única coisa que ganhamos com isso é descrédito e silenciamento da profissão, mais do que isso, percebi que essa satirização acaba favorecendo o conservadorismo, característica dessa sociedade reacionária. De que forma isso acontece? Pois bem, começo justificando essa ideia com base no documentário “Da servidão moderna" (Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=xAVYFYMFAag) que, dentre várias críticas, apresenta a “comercialização e deturpação da revolução”, isso se atualiza nas piadas quando os “estudantes de humanas” são ridicularizados por problematizarem questões sociais, é exemplo uma das postagens que viralizaram na internet:



Quer dizer então que trazer para debate questões sociais como preconceito, discriminação e violência – muitas vezes naturalizados - é engraçado? A serviço de quem está esse silenciamento? Quem ganha com a não discussão, com a não análise crítica da atual situação do país (e do mundo)? Por que o nosso trabalho precisa ser rebaixado, desvalorizado e até menosprezado? Por que inclusive nós nos vemos como inferiores diante das ditas “ciências duras”, “exatas”? De que forma nós nos posicionamos frente essa visão da classe? Acredito que essas e outras questões precisam ser levantas entre nós, estudantes de humanas (E.H). Uma ressignificação do nosso papel é essencial para que possamos assumir um compromisso social.
     Outra questão é que se associa aos “E.Hs” a falta de dinheiro e perspectiva de futuro pouco rentável. Isso me leva a pensar em duas coisas, primeira, como nós permitimos essa desvalorização e disparidade salarial e a proximidade de ALGUNS estudantes – não todos, óbvio – com ideias comunistas. A “ameaça comunista” faz tremer o capital que precisa do consumo em massa para manter-se em pé. Aqui podemos relacionar o descrédito dado às “quebras de paradigmas” que provocam a sociedade a refletir sobre seu consumo e sobre a real necessidade de ter tudo aquilo que o mercado e a mídia nos oferecem.

Sim, vocês podem pensar que estou exagerando, afinal “é só uma piada”, mas também é “só uma piada” dizer que mulheres devem ser submissas, que negros são ladrões, e que ser gay é motivo de vergonha. São “só brincadeiras” que contribuem para a naturalização de ideias preconceituosas e até  mesmo violentas. Posso dizer que é recente minha reflexão, mas acredito no meu papel dentro da ciência social e acredito em cada palavra que escrevi. Peço a ti, caro colega, “estudante de humanas”, que se ponha a pensar em como queres ser reconhecido e faça valer aquilo que tu acreditas, a ciência social é revolucionária e não reprodutora.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Não há amor na sua alma


Um último texto pra dizer que quis te devolver tudo o que já senti. Tomada por asco e raiva pensei até em formas de me vingar, porém agora consigo ver que não há castigo pior pra você do que estar contigo mesma, sozinha. Você não precisa de alguém para lhe fazer sofrer, para lhe deixar mal, sua consciência fará isso por si só, ou você acha que as noites sem dormir são frutos de quê? O sono tranquilo é um presente para os que têm a mente e o coração limpos, ou ao menos livre de culpa. 
É tão bom descarregar nas palavras um peso que levei comigo por quase um ano... Não nego que já cometi erros na vida, porém todos eles me trouxeram aprendizado, já você foi um erro que só trouxe dor, sofrimento e atraso. Você é tão pequena que deixou pouco, quase nada ao sair da minha vida. Acredito que o melhor presente foi sua saída, na verdade. 
Pra finalizar quero dizer que não sobrou nada aqui, eu não gosto mais de você! E não, não estou sofrendo, mesmo! Escrevo isso para ti saber que não és insubstituível, que não foste quem mais amei nem a única que me machucou. Sabias também que o mundo não gira ao seu redor, tu não és "O problema" da minha vida nem o da vida de ninguém, não se ponha em um cargo tão importante assim, tu não és mais especial do que outros já foram, é apenas mais uma pessoa perdida que não aprendeu a amar, só mais alguém pequeno demais pra saber o que é isso. Não espere da vida um banquete de felicidade, pois tuas atitudes só te alimentarão com migalhas. Tenho pena de ti se achas que és a única causadora de "fortes emoções". Esse teu protagonismo imaginário na vida das pessoas precisa sair de cena pra assim tu perceber quem és e reconhecer que não há amor na sua alma.

"Não há amor na sua alma"

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Ilusionista

Temi ao ver teus olhos de novo, porém o medo já não era mais do desconhecido e sim por agora saber com o que estava lidando. Fiquei atenta ao seu jeito antes encantador que me fazia sorrir sem graça por saber que aqueles minutos contigo seriam o suficiente pra eu sorrir o resto do dia (ou da noite), mas dessa vez foi diferente. Tudo em você parecia ensaiado, como parte de uma peça mal sucedida, pronta para dar errado de novo. Tuas palavras, canções e forma de me deixar sem jeito agora já são previsíveis, não deixaram de ser sedutoras por isso é claro, pena eu não conseguir acreditar em mais nada que venha de você. Já tive pena de mim por confiar no seu amor, agora tenho pena de ti por pensar que precisava mentir pra me ter ao seu lado.
Fico triste ao te ver tentando consertar as coisas, tentando arrumar o que não tem mais jeito e isso nada tem a ver comigo, com “nós”, mas sim com essa tua forma de lidar com as coisas, de jogar com as pessoas mesmo sem perceber – ou fingindo não perceber – isso tudo jamais vai poder te trazer felicidade, o que é uma pena, apesar de tudo espero o melhor pra ti e não sou a única que nutre sentimento sincero por você, o lamentável é nenhum desses sentimentos poderem te preencher por maiores que sejam. Nem todos os amores do mundo serão suficientes para te resgatar de si mesma se você os põe na prateleira e vai se alimentando só por saber que eles existem.

Você não me ama, não pode me amar, porque amor é algo que não cabe mais em ti. Tu precisas preparar teu coração e aceitar quem você é. Sem enganar ninguém, sem querer proteger todo mundo. Você não é um perigo assim como os outros também não são. Pare de fazer mal a si mesma e por consequência vai parar de fazer mal aos outros. Queria poder te levar a leveza da qual vejo que precisas, é dessa liberdade que falo tanto! Poder ser coerente com meus sentimentos, com quem eu sou, é essa minha busca de todos os dias. Não associe liberdade com solidão, pois nem você nem eu estivemos menos sós enquanto estávamos presas em “nós”. 
"Eu não ficaria bem na sua estante"

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Ela



Adormeci ouvindo numa canção o som da sua voz
E quão doce é dormir assim!
Quando durmo com pensamentos nela, também acordo com eles no mesmo lugar
E acordar pensando nela é como acordar com os raios de sol na minha janela.
Sou feliz com ela e doo-me só de pensar em perdê-la,
Pois eu também me perderia e perderia os sonhos e perderia a alegria.

Quando sinto o cheiro dela não quero mais nada se não ela,
Em pensamentos a abraço e mesmo longe me sinto em seus braços.
Quero ser só dela e nela vou me perdendo,
Perdendo-me deixo-me nela para que ela venha me procurar
E saber que me completa.

Se tenho medo, ela é a lua que clareia minha escuridão
Afastando-os todos de mim, e me deixa assim, sem pensar em nada.
Esqueço o que é medo, esqueço o que é dor, esqueço até que esqueci quem sou,
pois não sou eu quando estou com ela, não sou nada senão dela,
Por inteiro.

  Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...