quinta-feira, 17 de setembro de 2015

ZOAR O "POVO DE HUMANAS", UM GOLPE REACIONÁRIO VELADO


Usuários de maconha que estudam pouco (ou nada), não sabem calcular e vivem de artesanato. De quem estou falando? Dos estudantes de humanas, é claro. Quem nunca fez piada com um amigo ou colega ou riu de si mesmo por não ser da área das exatas (usando por vezes a graduação escolhida como desculpa por não saber calcular troco), eu mesma várias vezes me vi rindo e reproduzindo piadas do tipo sem se quer refletir sobre essa atitude, porém, após uma provocação em aula sobre tal visão do “povo de humanas”, percebi que a única coisa que ganhamos com isso é descrédito e silenciamento da profissão, mais do que isso, percebi que essa satirização acaba favorecendo o conservadorismo, característica dessa sociedade reacionária. De que forma isso acontece? Pois bem, começo justificando essa ideia com base no documentário “Da servidão moderna" (Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=xAVYFYMFAag) que, dentre várias críticas, apresenta a “comercialização e deturpação da revolução”, isso se atualiza nas piadas quando os “estudantes de humanas” são ridicularizados por problematizarem questões sociais, é exemplo uma das postagens que viralizaram na internet:



Quer dizer então que trazer para debate questões sociais como preconceito, discriminação e violência – muitas vezes naturalizados - é engraçado? A serviço de quem está esse silenciamento? Quem ganha com a não discussão, com a não análise crítica da atual situação do país (e do mundo)? Por que o nosso trabalho precisa ser rebaixado, desvalorizado e até menosprezado? Por que inclusive nós nos vemos como inferiores diante das ditas “ciências duras”, “exatas”? De que forma nós nos posicionamos frente essa visão da classe? Acredito que essas e outras questões precisam ser levantas entre nós, estudantes de humanas (E.H). Uma ressignificação do nosso papel é essencial para que possamos assumir um compromisso social.
     Outra questão é que se associa aos “E.Hs” a falta de dinheiro e perspectiva de futuro pouco rentável. Isso me leva a pensar em duas coisas, primeira, como nós permitimos essa desvalorização e disparidade salarial e a proximidade de ALGUNS estudantes – não todos, óbvio – com ideias comunistas. A “ameaça comunista” faz tremer o capital que precisa do consumo em massa para manter-se em pé. Aqui podemos relacionar o descrédito dado às “quebras de paradigmas” que provocam a sociedade a refletir sobre seu consumo e sobre a real necessidade de ter tudo aquilo que o mercado e a mídia nos oferecem.

Sim, vocês podem pensar que estou exagerando, afinal “é só uma piada”, mas também é “só uma piada” dizer que mulheres devem ser submissas, que negros são ladrões, e que ser gay é motivo de vergonha. São “só brincadeiras” que contribuem para a naturalização de ideias preconceituosas e até  mesmo violentas. Posso dizer que é recente minha reflexão, mas acredito no meu papel dentro da ciência social e acredito em cada palavra que escrevi. Peço a ti, caro colega, “estudante de humanas”, que se ponha a pensar em como queres ser reconhecido e faça valer aquilo que tu acreditas, a ciência social é revolucionária e não reprodutora.

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