Usuários de maconha que estudam pouco (ou nada), não sabem
calcular e vivem de artesanato. De quem estou falando? Dos estudantes de
humanas, é claro. Quem nunca fez piada com um amigo ou colega ou riu de si
mesmo por não ser da área das exatas (usando por vezes a graduação escolhida
como desculpa por não saber calcular troco), eu mesma várias vezes me vi rindo
e reproduzindo piadas do tipo sem se quer refletir sobre essa atitude, porém,
após uma provocação em aula sobre tal visão do “povo de humanas”, percebi que a
única coisa que ganhamos com isso é descrédito e silenciamento da profissão,
mais do que isso, percebi que essa satirização acaba favorecendo o conservadorismo,
característica dessa sociedade reacionária. De que forma isso acontece? Pois
bem, começo justificando essa ideia com base no documentário “Da servidão
moderna" (Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=xAVYFYMFAag) que, dentre várias críticas, apresenta a “comercialização e deturpação da
revolução”, isso se atualiza nas piadas quando os “estudantes de humanas” são
ridicularizados por problematizarem questões sociais, é exemplo uma das
postagens que viralizaram na internet:
Quer dizer então que trazer para debate questões sociais como
preconceito, discriminação e violência – muitas vezes naturalizados - é
engraçado? A serviço de quem está esse silenciamento? Quem ganha com a não
discussão, com a não análise crítica da atual situação do país (e do mundo)?
Por que o nosso trabalho precisa ser rebaixado, desvalorizado e até
menosprezado? Por que inclusive nós nos vemos como inferiores diante das ditas “ciências
duras”, “exatas”? De que forma nós nos posicionamos frente essa visão da
classe? Acredito que essas e outras questões precisam ser levantas entre nós,
estudantes de humanas (E.H). Uma ressignificação do nosso papel é essencial para que
possamos assumir um compromisso social.
Outra questão é que
se associa aos “E.Hs” a falta de dinheiro
e perspectiva de futuro pouco rentável. Isso me leva a pensar em duas coisas,
primeira, como nós permitimos essa desvalorização e disparidade salarial e a
proximidade de ALGUNS estudantes – não todos, óbvio – com ideias comunistas. A “ameaça
comunista” faz tremer o capital que precisa do consumo em massa para manter-se
em pé. Aqui podemos relacionar o descrédito dado às “quebras de paradigmas” que
provocam a sociedade a refletir sobre seu consumo e sobre a real necessidade de
ter tudo aquilo que o mercado e a mídia nos oferecem.
Sim, vocês podem pensar que estou exagerando, afinal “é só
uma piada”, mas também é “só uma piada” dizer que mulheres devem ser submissas,
que negros são ladrões, e que ser gay é motivo de vergonha. São “só brincadeiras” que contribuem para a naturalização de ideias preconceituosas e até mesmo violentas. Posso dizer que é recente minha reflexão, mas acredito no
meu papel dentro da ciência social e acredito em cada palavra que escrevi. Peço
a ti, caro colega, “estudante de humanas”, que se ponha a pensar em como queres
ser reconhecido e faça valer aquilo que tu acreditas, a ciência social é
revolucionária e não reprodutora.

Nenhum comentário:
Postar um comentário