Se quiseres conhecer bem uma pessoa,
procure saber aquilo que ela condena. Por vezes essa guerra com o mundo é só o
reflexo de uma guerra com a solidão da auto-incompreensão. Sim, estou falando
de mim. Tem muito de mim dentro das coisas que sou contra. O monopólio sobre
pessoas, por exemplo - sou absolutamente arbitrária a essa pertença
obrigatória (entre casais especialmente), mas dentro de mim respira ofegante um
anseio por pertencer também a alguém. Sei que tem gente - que assim como eu -
pede ao mundo liberdade, rezam para serem livres. Pedem: DEIXEM-ME LIVRE! Mas
esse grito ao mundo surdo é uma tentativa de fazer tal voz resplandecer a si
mesmo. É um auto-pedido de libertação. Devo reconhecer que mais uma vez falo de
mim. Tenho geralmente usado a terceira pessoa para falar das minhas questões.
Quem sabe querendo, de forma inconsciente, pertencer a uma parcela desse todo
do qual julgo ser tão avulsa, tão diferente. Contudo, a gente nunca é único em
nada, ao mesmo tempo é único na existência. Pode soar paradoxal, mas são
justamente essas linhas entre negações e identificações, que desenham o que
chamamos de "eu".
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Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...
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Satisfiz-me com a ideia de que Estou permanentemente condenada a insatisfação
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Condenar é confessar-se.
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