segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Estou no não


Se quiseres conhecer bem uma pessoa, procure saber aquilo que ela condena. Por vezes essa guerra com o mundo é só o reflexo de uma guerra com a solidão da auto-incompreensão. Sim, estou falando de mim. Tem muito de mim dentro das coisas que sou contra. O monopólio sobre pessoas, por exemplo - sou absolutamente arbitrária a essa pertença obrigatória (entre casais especialmente), mas dentro de mim respira ofegante um anseio por pertencer também a alguém. Sei que tem gente - que assim como eu - pede ao mundo liberdade, rezam para serem livres. Pedem: DEIXEM-ME LIVRE! Mas esse grito ao mundo surdo é uma tentativa de fazer tal voz resplandecer a si mesmo. É um auto-pedido de libertação. Devo reconhecer que mais uma vez falo de mim. Tenho geralmente usado a terceira pessoa para falar das minhas questões. Quem sabe querendo, de forma inconsciente, pertencer a uma parcela desse todo do qual julgo ser tão avulsa, tão diferente. Contudo, a gente nunca é único em nada, ao mesmo tempo é único na existência. Pode soar paradoxal, mas são justamente essas linhas entre negações e identificações, que desenham o que chamamos de "eu".



Um comentário:

  Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...