segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Estou no não


Se quiseres conhecer bem uma pessoa, procure saber aquilo que ela condena. Por vezes essa guerra com o mundo é só o reflexo de uma guerra com a solidão da auto-incompreensão. Sim, estou falando de mim. Tem muito de mim dentro das coisas que sou contra. O monopólio sobre pessoas, por exemplo - sou absolutamente arbitrária a essa pertença obrigatória (entre casais especialmente), mas dentro de mim respira ofegante um anseio por pertencer também a alguém. Sei que tem gente - que assim como eu - pede ao mundo liberdade, rezam para serem livres. Pedem: DEIXEM-ME LIVRE! Mas esse grito ao mundo surdo é uma tentativa de fazer tal voz resplandecer a si mesmo. É um auto-pedido de libertação. Devo reconhecer que mais uma vez falo de mim. Tenho geralmente usado a terceira pessoa para falar das minhas questões. Quem sabe querendo, de forma inconsciente, pertencer a uma parcela desse todo do qual julgo ser tão avulsa, tão diferente. Contudo, a gente nunca é único em nada, ao mesmo tempo é único na existência. Pode soar paradoxal, mas são justamente essas linhas entre negações e identificações, que desenham o que chamamos de "eu".



domingo, 26 de janeiro de 2014

Dê oi à Cegonha

Vim te dar uma notícia
Comece escolhendo entre Pandora ou Clarissa
Isso se for menina claro, se for menino ainda não sei,
Mas se quiser eu deixo você opinar também.
É eu sei, faz tempo que não nos falamos
Mas sei também que lembras da última vez que nós ficamos.
Tem coisa em mim mais atrasada que nossas conversas,
Sei que aqui não é o melhor lugar pra te dar uma notícia dessas
Então vou logo avisando, sente para ouvir, se não tu cai
Parabéns, meu querido - você vai ser papai!


sábado, 25 de janeiro de 2014

O caçador virou caça


Vi em você a esperança de alguém que podia me salvar. Até as caças admiram seus caçadores. Nesse caso, eu ovelha e tu o lobo. Um lobo que me despertava medo e assustava, mas ao mesmo tempo, me atraía. Eu me mostrava a ti como quem queria despertar a tua fome, e quando tu vinhas ao meu encontro, eu fugia como um bicho arredio. Mas tu, mesmo se mostrando em pele de lobo era tão frágil quanto eu e buscava também a salvação.

Eu não sabia como, mas sentia-me ligada a você. Quando lhe vi pela primeira vez me impressionou teu jeito despreocupado, de quem vive a vida da forma que deseja. Alguém que não nega a boemia nem a solidão, alguém que faz da tristeza combustível para o divertimento. Eu vi em você tudo que temia, e ao mesmo tempo, tudo que desejava. Mas quando tu se aproximavas eu não sabia como te confessar meus anseios, sempre fui covarde demais para admitir que do teu lado era onde queria estar.
Conversamos por um tempo e certo dia resolvi revelar a ti minha vontade de ser tua, você mostrou reciprocidade, mas queria urgência. Eu ainda não me sentia pronta para atender minhas vontades, embora estar nos teus braços era o meu sonho de todas as noites. Eu esperava que tu disfarçasses um pouco e me tomasse com mais calma, que me carregasse pro teu lado aos poucos. Mas tua fome lupínica e teu anseio por amar alguém, não permitiu que camuflasse um desejo tão intenso quanto o meu. 
Resumindo nossa história, restaram apenas as vontades. O meu medo te afastou de mim. A mentira que eu me contava todos os dias acabou por me privar da felicidade. Me enganava dizendo que tudo o que eu queria era ser pega pelas tuas presas e depois ir embora. A verdade é que quis dividir contigo não só a cama, mas a vida. Queria ser tua pra sempre. Você tem toda a instabilidade que sonhei. Vivi sempre num mundo "correto" demais, estar do contigo seria minha salvação. 
Eu quis você como uma criança quer colo, como um andarilho quer abrigo, como um solitário quer amor. Eu quis - e ainda quero - ser tua por inteiro. Hoje não sou mais um cordeiro assustado. Tu, meu querido lobo, se tornou a caça. Eu vou ir atrás de você. A diferença é que tenho paciência, sei esperar o momento certo para atacar. Estarei aguardando a hora mais oportuna e assim que você baixar sua guarda, eu te prendo em mim. 







quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Você é tudo aquilo que não sei

Você é o passo no escuro, é a aposta na loteria, é a operação de risco.
Você é o dia nublado, o vulcão ativo, a tempestade solar.
Você é o dia de amanhã, a resposta que se espera, és o sim e o não.
Você é o "depende", é o "talvez", é o "quem sabe".
Você é a hipótese, a previsão, a teoria, a suposição.
Você é a sinaleira em alerta, é a próxima música, é a palavra não dita.
Você é tudo aquilo que chamo de incerteza, 
E isso tenho ao certo, como certeza. 
Você é minha dúvida, mas o problema de tudo isso
É que eu adoro perguntar.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Só por que você ainda não descobriu tudo
Não significa que nunca irá
Algum dia você pode até olhar para trás
E se perguntar porquê se preocupava


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Dois

ELA

Não tire de mim o direito de amar. O meu coração anseia por poder ser de alguém, quero exercer a faculdade de devoção sentimental e me desfazer desse luto de solidão no qual me encontro e que tem me acompanhado pelos anos de minha vida. O meu corpo deseja ser tomado com paixão e não apenas com desejo, não me roube esse direito. Não me faça mais de recipiente para suas satisfações, eu desejo ser amada. Se a entrega não lhe for possível, me liberte. Desfaça as amarras de promessas que me mantém ligada a ti, se não puderes me tomar com o coração que não o faça com o corpo também.
Por anos segui meu caminho com medo de ser de alguém por inteiro, tanto na carne como naquilo que ela abriga. Eu temia dar-me ao amor. Porém hoje estou pronta para me despir dessa veste de solitude. Quero alguém que me acompanhe e que aceite o que tenho para dar. Alguém que não rejeite meu sentimentalismo muitas vezes pueril, mas carregado do desejo de ter a quem se destinar. Portanto, se me queres, deves querer também meu coração, não precisas corresponder a altura, só mostrar consideração por aquilo que anseio demonstrar, sentir e viver. Mostre-me se gostas de mim ao menos um pouco que irei te mostrar o quanto vai valer a pena.




ELE

Não me culpe pelo seu desamor, eu nunca prometi nada a você. Desde o começo tu sabias que meu coração era dela, assim como os meus pensamentos e planos. Você foi alguém que surgiu e com os olhos pediu para receber minha atenção, foi você quem quis, não eu. Imagino que isso possa lhe magoar de alguma forma mas você sabe que não me esforçaria pra mentir. Eu ainda tenho muitas coisas para resolver antes de pensar na possibilidade de nos dar uma chance. Tenho que esquecê-la. Não queria que pensasses que tu és mera distração, não é a minha intensão, mas também peço que não espere nada de mim. Creio que tu saibas que pertencemos a universos diferentes e que isso muitas vezes nos fará discordar, e não me agrada viver em conflito.
Acho que não sabemos ao certo porque estamos um com o outro. Quem sabe nossas carências deram as mãos e agora são frágeis demais pra abrir os olhos e perceber o que as mantêm unidas. Tem coisas em você que me fazem crer que gosta de mim, isso me assusta. Além desse teu jeito incerto que por horas me põe a pensar se sou mesmo o cara pra ti. Nossos medos parecem duas crianças que se escondem embaixo dos cobertores para sentirem-se seguras dos fantasmas. Estarmos junto é o cobertor, e tudo que nos rodeia são nossos fantasmas.  Ainda temos muito pra crescer.




Ele

Não me culpe pelo seu desamor, eu nunca prometi nada a você. Desde o começo tu sabias que meu coração era dela, assim como os meus pensamentos e planos. Você foi alguém que surgiu e com os olhos pediu para receber minha atenção, foi você quem quis, não eu. Imagino que isso possa lhe magoar de alguma forma mas você sabe que não me esforçaria pra mentir. Eu ainda tenho muitas coisas para resolver antes de pensar na possibilidade de nos dar uma chance. Tenho que esquecê-la. Não queria que pensasses que tu és mera distração, não é a minha intensão, mas também peço que não espere nada de mim. Creio que tu saibas que pertencemos a universos diferentes e que isso muitas vezes nos fará discordar, e não me agrada viver em conflito.
Acho que não sabemos ao certo porque estamos um com o outro. Quem sabe nossas carências deram as mãos e agora são frágeis demais pra abrir os olhos e perceber o que as mantêm unidas. Tem coisas em você que me fazem crer que gosta de mim, isso me assusta. Além desse teu jeito incerto que por horas me põe a pensar se sou mesmo o cara pra ti. Nossos medos parecem duas crianças que se escondem embaixo dos cobertores para sentirem-se seguras dos fantasmas. Estarmos junto é o cobertor, e tudo que nos rodeia são nossos fantasmas.  Ainda temos muito pra crescer.

  Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...