terça-feira, 25 de setembro de 2012

Agosto em mim


Sinto que as pessoas estão se afastando e que não tenho ninguém ao meu lado. É como se eu perdesse tudo aquilo que cativei. Amigos, trabalho, pseudo-amores, e até os ídolos para quem jurei amor eterno. Tudo está em falta!
Esse sentimento se torna mais concreto na medida em que os fatos vêm se apresentando aos meus olhos, e minha pior descoberta foi a de que sou eu quem afasta de mim tudo e todos aqueles que gosto. O problema está me circundando e mergulha e mim. Esse problema sou eu. Minhas atitudes, meus pensamentos e a resistência que tenho de criar laços fortes me remetem ao incrível medo que tenho de perder tudo que cativei.
Peço perdão se te magoei, não foi a intenção. Às vezes as palavras são ditas sem intencionalidade, vem de um eu que não é o meu, vem do meu lado ruim. Eu sinto muito, mas estou em um processo de transformação. Estou no meu agosto. O mês conhecido pelos maus agouros, coisas ruins que pressagiam mudança. Só não sei como reagirei a esse mês-em-mim. Não sei se sairei ilesa ou se perderei muitas folhas de minha árvore. Não sei se deixarei o coração congelar ou permitirei às flores que nasçam. Sinceramente, não sei o que esperar de mim.
Pelo que me parece, serei uma árvore solitária, que deixa cair as folhas aos pés e não sabe como fazer para juntá-las. Estou perdendo essas partes que deixei crescer em mim. E isso dói.
Se servir de consolo para as feridas do tombo – que os que se prendiam a mim tiveram na hora da queda – eu também estou machucada. Não quero pedir-lhes que tenham pena, cada um passa por seu agosto de uma forma, e ninguém pode converter ou interferir nisso. Mas tudo o que fiz e falei, eu sinceramente posso dizer que foi pensando no bem de vocês, em agradar vocês. Mas nem sempre eu consigo acertar. Além do mais, não me sinto merecedora de tudo aquilo que vocês representam para mim. Eu sinto muito se os magoei – sé é que de veras sou (ou fui) importante.
Isso até parece uma carta de despedida, mas não tenho coragem o suficiente para sair de cena. Não por enquanto, e que o céu me proteja para que eu nunca venha a ter. Só quero pedir mais uma vez que me perdoem, e se possível for entendam que eu também preciso de compreensão. Muitas vezes doei-me em prol de vocês, agora peço que se conseguirem me entendam também. Não venho sendo eu nos últimos dias. É culpa do meu agosto tenho certeza, sei que ele veio para me mostrar o peso que as mudanças trazem, e também para me confrontar com os meus piores "eu's". No final das contas, é só mais uma prova, um teste para saber o que eu aprendi até aqui. Um jeito da vida avaliar como eu me saio e se aprendi algo bom nos anos até aqui.
Mas sabe-se que todas as estações passam, e como ouço dizer: “Se o agosto não me levar, outro não leva”.



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