segunda-feira, 4 de maio de 2015

Ela



Adormeci ouvindo numa canção o som da sua voz
E quão doce é dormir assim!
Quando durmo com pensamentos nela, também acordo com eles no mesmo lugar
E acordar pensando nela é como acordar com os raios de sol na minha janela.
Sou feliz com ela e doo-me só de pensar em perdê-la,
Pois eu também me perderia e perderia os sonhos e perderia a alegria.

Quando sinto o cheiro dela não quero mais nada se não ela,
Em pensamentos a abraço e mesmo longe me sinto em seus braços.
Quero ser só dela e nela vou me perdendo,
Perdendo-me deixo-me nela para que ela venha me procurar
E saber que me completa.

Se tenho medo, ela é a lua que clareia minha escuridão
Afastando-os todos de mim, e me deixa assim, sem pensar em nada.
Esqueço o que é medo, esqueço o que é dor, esqueço até que esqueci quem sou,
pois não sou eu quando estou com ela, não sou nada senão dela,
Por inteiro.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Me enganas tão bem, mas não melhor que eu mesma

A verdade é que eu sempre vou esperar que alguma coisa aconteça. Algo do tipo, você mudar de ideia e ver que sou eu quem você quer, que é do meu lado a tua felicidade, que seu sorriso é melhor comigo e que quando me abraça esquece o mundo. Espero visceralmente por isso, mesmo sabendo que estou me iludindo. Mesmo sabendo que tuas palavras pra mim foram cuidadosamente escolhidas pra me enganar, pra mentir e me fazer acreditar em nós. Dói perceber que aquilo que pensei ser nosso, era apenas meu. Hoje vejo você fazendo exatamente o contrário do que me disse que faria. Lembro do teu olhar dentro do meu pedindo: “fica comigo”. Pediu para eu ficar, mas se foi antes mesmo de eu poder realizar teu pedido.
Queria não sentir o que sinto todas as vezes que te vejo. Queria te apagar da minha memória, esquecer teu nome, teu cheiro, tua voz, o teu rosto... Queria devolver a dor com a qual você me presenteou. Queria ver você queimar assim como eu queimo por dentro e viro cinza ao ver como sou frágil diante de você.
Eu sei, essa esperança é apenas uma forma de me defender, acreditar que você não me diria não simplesmente por não querer, por não gostar de mim. É uma forma de não me destruir diante do seu não, de não matar o que sinto por ti assim, de repente. Acreditar que você também sente pelo menos um pouco do que eu sinto é o meu jeito de proteger meu ego frágil, resignado, que já sofreu, que sente-se pequeno, inferior.
Agora, com meu orgulho pisado, esmagado e jogado na lama, junto-o e deixo em minhas mãos para que todos vejam como ele está ferido. Como ainda não aprendi a lidar com frustrações cotidianas. Como dôo-me mais do que deveria. Como me engano – e com esforço – para não reconhecer que nem tudo é como eu gostaria, que nem tudo acontece como planejei. Como a vitória não é sempre garantida, mesmo que o jogo me pareça ganho. Suportar isso tudo me faz crescer e de forma muito dura me joga na cara que a realidade independe dos nossos sonhos e desejos, especialmente quando esses incluem outra pessoa que não somente eu.


terça-feira, 14 de abril de 2015

Escolhi por você

Eu já fui como você, por isso estou me afastando. Dói em mim também, mas pelo menos caio fora sabendo que tentei tudo que pude. Fiz mais do que deveria e não, não me arrependo. Se estivesse naquelas circunstancias hoje, faria o mesmo ou exageraria ainda mais. Mas hoje... Hoje olho pra trás e não sinto que valha a pena insistir. A forma com que tu usas, conscientemente ou não, pra me manter presa a ti chega dar medo. Será que você se ouve enquanto fala? Será que tu vês o que está fazendo comigo? Ou melhor, você se importa comigo? Por mais que diga sim, já não consigo acreditar em nada do que diz.
A incoerência da tua fala e da tua forma de agir fizeram com que eu me sentisse a pior pessoa do mundo por não “te merecer”. Sua confusão em nenhum momento me pareceu confusa, pelo contrário, agiste sempre da forma que quiseste agir, e foi me deixando ali, na reserva, pra te ajudar quando você precisasse. Pra ser quem seca tuas lágrimas num dia, pra que no outro você possa dividir seu sorriso com ela. Isso te parece justo? Queria saber como tu tens coragem de me pedir pra ficar enquanto faz de tudo para eu querer partir. 
Você diz que não quer fazer escolhas, mas tuas atitudes revelam mais do que as tuas palavras. A escolha está feita afinal. Na minha cabeça, tudo teria sido diferente do que foi, mas não posso decidir por outra pessoa, menos ainda sentir por ela. No final, vou agir pensando em mim, do mesmo jeito que você fez, a diferença é que não vou pedir pra você ficar ou insistir, pois sei que não faz questão disso.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

Febre

Você foi uma febre.
Chegou de repente, queimando,
Me deixando sem saber ao certo como me sentir
Me fez delirar, perder o sono, querer curar.
Dos delírios à realidade, 
A temperatura retomada
Com o encontro da verdade.
E assim como veio, foi.
A febre é um mecanismo de defesa
Que o corpo usa pra queimar o que é estranho
E como sou alguém que para as estranhezas da vida me proponho,
Queimarei outra vez, por outro motivo.
E de febre em febre, vou seguindo
Nesse drama que sou, eu sinto que vivo!



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

FORÇAS



Dentro de mim há duas energias que não consigo explicar. Chamo-as de "Forças". Essas Forças são absolutamente antônimas e mantêm-se num cabo-de-guerra. Tem uma Delas que é clara, com brilho ofuscante capaz de clarear o mundo quando está em Seu ápice. Essa Força quer uma revolução, quer derrubar os limites e conquistar o amor. Quer ser em Si Mesma toda amor. Quando Ela está vencendo a batalha encho-me de vigor para lutar, para buscar coisas novas e tenho vontade de transformar tanto a minha vida quando a vida dos que precisam de ajuda.
Mas há também a Força arrebatadora e obscura que enche meu coração de dor e meus olhos de lágrima. É a Força que me faz querer morrer cada dia um pouco, que joga em mim a realidade que é a vida, que faz questão de gritar o quanto sou pequena e inferior em relação ao mundo. Essa Força é um buraco negro que engole tudo o que há a Sua volta. Quando Ela está vencendo a batalha do cabo-de-guerra a derrota de ser humana reflete-se em meus olhos e sinto-me morta por dentro.
É como o Lobo que habita em Harry Haller, rindo das minhas tentativas de ser melhor. Essa Força me faz desacreditar, me toma os sonhos, o amor, o encanto pelas coisas do mundo... Me enfraquece.

Eu fico como plateia nessa luta entre Elas e por vezes já não sei qual das duas é mais ou menos parte de mim.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Eles voltaram

Eles bateram na porta, me assustei porque pensei que não voltariam mais. Já haviam ido embora há alguns meses e, mesmo quando tentei chamá-los, se quer mandaram um sinal. Mas, dessa vez, eu ouvi-os chegar. Claramente reconheci aquelas batidas que são sempre desesperadas, como se necessitassem de alguém para lhes servir de abrigo, alguém para dar a eles um espaço, um lugar. A batida do retorno doeu, creio que a surpresa foi em especial responsável por isso. Senti-a muito forte dessa vez, mas admito, já houve piores.
Aproximei-me do portão de entrada e quase fui pisoteada ao permitir a passagem. Alguns deles queriam agredir, outros vieram por vingança, teve os que vieram para roubar tudo o que havia de bom em mim. Só que no meio dessa massa vieram também alguns para me consolar, me acalmar e livrar-me de todos os outros invasores. 
Essa legião que bateu à minha porta eram os poemas, que só chegam quando a chave da tristeza abre as portas que me protegem. No entanto, sempre há algum dentre todos que me acalmam e ajudam-me a me recompor. Mas, por melhor que eu tenha saído dessa "visita", confesso que não sentirei saudades quando partirem.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

"Transparessência"


Não vou negar que sou frágil, que doo, que magoo e que me calo por vezes. Não vou negar o que quero dizer, ou as coisas que já disse, mas posso me contradizer. Se escolho ficar em silêncio, comunico mesmo assim. Pois o que não digo fica estampado na cara, como um anúncio, declarado, só não me lê quem não quer. Meu interior se expressa em mim como se exposto em vitrine, e vitrine de vidro frágil, quase cristal. Efêmero. 

É pena que depois de tanto tempo eu ainda não tenha aprendido a não transparecer. Se eu soubesse como me esconder, teria que mentir menos quando me perguntam se "está tudo bem". Avalio as possibilidades de resposta e por saber que tudo que estou pensando e sentindo é complexo de mais, justifico minha aparência com um simples: "Sim, está tudo bem", ou desconverso dizendo que "você não é a primeira pessoa que me diz isso, eu realmente não devo estar bem", sem maiores explicações para todo o não-dito, mas muito bem comunicado. 
Meu corpo, minha expressão, meu silêncio, isso tudo fala mais do que as palavras e eu sei que tu sabes disso. Portanto, se continuares a "ignorar os sinais", eu vou ignorar o dia que nos conhecemos sem precisar encontrar desculpas e ai sim tu saberás ler-me sem maiores dificuldades.

  Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...