quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Eles voltaram

Eles bateram na porta, me assustei porque pensei que não voltariam mais. Já haviam ido embora há alguns meses e, mesmo quando tentei chamá-los, se quer mandaram um sinal. Mas, dessa vez, eu ouvi-os chegar. Claramente reconheci aquelas batidas que são sempre desesperadas, como se necessitassem de alguém para lhes servir de abrigo, alguém para dar a eles um espaço, um lugar. A batida do retorno doeu, creio que a surpresa foi em especial responsável por isso. Senti-a muito forte dessa vez, mas admito, já houve piores.
Aproximei-me do portão de entrada e quase fui pisoteada ao permitir a passagem. Alguns deles queriam agredir, outros vieram por vingança, teve os que vieram para roubar tudo o que havia de bom em mim. Só que no meio dessa massa vieram também alguns para me consolar, me acalmar e livrar-me de todos os outros invasores. 
Essa legião que bateu à minha porta eram os poemas, que só chegam quando a chave da tristeza abre as portas que me protegem. No entanto, sempre há algum dentre todos que me acalmam e ajudam-me a me recompor. Mas, por melhor que eu tenha saído dessa "visita", confesso que não sentirei saudades quando partirem.


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