Eles
bateram na porta, me assustei porque pensei que não voltariam mais. Já haviam
ido embora há alguns meses e, mesmo quando tentei chamá-los, se quer mandaram
um sinal. Mas, dessa vez, eu ouvi-os chegar. Claramente reconheci aquelas
batidas que são sempre desesperadas, como se necessitassem de alguém para lhes
servir de abrigo, alguém para dar a eles um espaço, um lugar. A batida do
retorno doeu, creio que a surpresa foi em especial responsável por isso.
Senti-a muito forte dessa vez, mas admito, já houve piores.
Aproximei-me
do portão de entrada e quase fui pisoteada ao permitir a passagem. Alguns deles
queriam agredir, outros vieram por vingança, teve os que vieram para roubar
tudo o que havia de bom em mim. Só que no meio dessa massa vieram também alguns
para me consolar, me acalmar e livrar-me de todos os outros invasores.
Essa
legião que bateu à minha porta eram os poemas, que só chegam quando a chave da
tristeza abre as portas que me protegem. No entanto, sempre há algum dentre
todos que me acalmam e ajudam-me a me recompor. Mas, por melhor que eu tenha
saído dessa "visita", confesso que não sentirei saudades quando
partirem.
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