segunda-feira, 22 de setembro de 2014

"Transparessência"


Não vou negar que sou frágil, que doo, que magoo e que me calo por vezes. Não vou negar o que quero dizer, ou as coisas que já disse, mas posso me contradizer. Se escolho ficar em silêncio, comunico mesmo assim. Pois o que não digo fica estampado na cara, como um anúncio, declarado, só não me lê quem não quer. Meu interior se expressa em mim como se exposto em vitrine, e vitrine de vidro frágil, quase cristal. Efêmero. 

É pena que depois de tanto tempo eu ainda não tenha aprendido a não transparecer. Se eu soubesse como me esconder, teria que mentir menos quando me perguntam se "está tudo bem". Avalio as possibilidades de resposta e por saber que tudo que estou pensando e sentindo é complexo de mais, justifico minha aparência com um simples: "Sim, está tudo bem", ou desconverso dizendo que "você não é a primeira pessoa que me diz isso, eu realmente não devo estar bem", sem maiores explicações para todo o não-dito, mas muito bem comunicado. 
Meu corpo, minha expressão, meu silêncio, isso tudo fala mais do que as palavras e eu sei que tu sabes disso. Portanto, se continuares a "ignorar os sinais", eu vou ignorar o dia que nos conhecemos sem precisar encontrar desculpas e ai sim tu saberás ler-me sem maiores dificuldades.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Utopia

A Anarquia, por mais bela que seja, é, infelizmente, uma utopia romântica. Quem sabe seja algo futuro, porém, não posso ignorar o nosso presente sistema político. Não é a minha vontade anárquica que fará o governo desistir de governar, e, mais ainda, que fará com que os governados desistam de ser submissos ao poder. Não é assim que a mudança ocorrerá. É com certa tristeza que admito isso. Para mim, nenhuma "posição política" me parece mais justa do que a anarquia, mas será que estamos (e me incluo nisso) preparados para vivermos sem regras, sem poder? Será que estamos preparados para a autogestão, para a cooperação? Creio que o trabalho nisso é gradativo, um processo de despertar pra uma nova consciência. Porém, não posso me eximir da responsabilidade de escolher quem governará o meu país. Assumir uma posição e defender o que me parece "menos injusto". Sinto necessidade de explicar isso não sei bem a quem, ou a quê, quem sabe para minhas convicções, não posso negar que anseio por uma sociedade anarquista, cooperativa, pacífica. Mas esperar que isso aconteça é tão imaturo quanto sonhar com o paraíso.

domingo, 31 de agosto de 2014

Maldita imortalidade

Queria não mais ser imortal. Queria não mais ter sempre esse "dia de amanhã" que me serve como pretexto para adiar as coisas. Queria que minha vida fosse condenada a finitude, para que eu pudesse entender o valor real de cada minuto, para que eu pudesse estar sempre aberta às infinitas oportunidades que a vida me dá e oferece aos que nela demonstram interesse. É uma pena que eu seja imortal, pois sendo assim, sei que terei o dia de amanhã para começar algo que desejo hoje. Sei que se não for nesse chuva, será na próxima que irei molhar os meus pés. Sei também que aquele convite dos meus amigos pode ficar para outro dia, pois eles, assim como eu, viverão pra sempre. Isso é certamente uma pena, essa condição infinda me tornou uma exímia procrastinadora. Até mesmo as tarefas que considero "compromisso" eu guardo para o dia de amanhã.
Além de tudo que já disse, se eu soubesse que minha vida teria um fim, amaria o maior número possível de pessoas e consideraria o amor como sendo algo bom com prazo de validade indeterminado. Me encantaria todas as vezes que ele (o amor) morresse e se transformasse. Como minha vida estaria fadada a terminar, não me importaria se esse(s) amor(es) durasse(m) uma noite, um olhar, ou o resto da minha efêmera vida. Ah, tudo seria mais belo se eu fosse mortal!
É uma pena que eu e meus semelhantes sejamos todos imortais, pois deixamos de ter consciência do quanto a vida pode nos surpreender se, em contrapartida, não nos deixássemos para amanhã.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Aqui, falta.






Tem um grito aqui dentro, tem desespero, tem um medo insistente e paralisante, tem um nó na garganta, tem um quê de vontade com um quê de desejo, eu só sinto, não vejo. Tem horror alarmante, tem perigo adiante, tem sombra que segue, mas não tem vento que leve essa dor de não ser, eu. Já faz tempo que corro na direção do nada, para me encontrar já não sei mais qual a estrada. Ou será o mar? Ou será o céu? O que será que guarda o meu eu? Estou em uma caixa, embaixo de um pano, embaixo de um véu? Só sei que preciso gritar, mas gritar tão alto para ver se sou ouvida pela parte de mim perdida, que nem ao menos sei se jaz em vida, mas não me canso de buscar.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Libertar-se

O libertar-se é um exercício diário, especialmente quando se trata de perceber que os outros não nos pertencem. Sim, eu também sofro com isso, mas estive pensando que ser de apenas um e esperar que ele seja só meu, é no mínimo, egoísmo. Não consigo pensar em algo mais narcísico do que achar que eu, entre 7 bilhões de pessoas, reúno TODAS as qualidades, defeitos e características das mais variadas que sejam suficientemente melhores do que as outras 6,9 Bilhões. Me incomoda profundamente sentir ciúmes, mas sabe o porquê desse desconforto? Porque ao sentir ciúme me percebo inferior às outras pessoas. A dita "traição", não é mais do que uma queda do trono da onipotência do "apenas eu" na vida de alguém. Um relacionamento só ser válido enquanto o outro concordar ser aprisionado para satisfazer seu ego não me parece muito justo. Privações só geram desconforto e moralismo só gera condenação. Mas você é livre, claro, para concordar ou não.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Eu olho pra vocês e todos me parecem tão iguais. Desculpem, mas isso tem me feito cansada. Cansada das conversas, dos objetivos comprados, dos medos comuns, da solidão chorada... Estando ou não estando com alguém vocês sempre reclamam da mesma coisa: so-li-dão. É, é isso que pode-se concluir dos lamentos. Porém, se investigar mais a fundo, eu diria que isso não tem nada a ver com serem solitários, mas sim, com serem vazios. Todos, ou quase todos vocês conversam as mesmas coisas que há três ou quatro anos atrás conversavam. São infantis como eram quem sabe a mais tempo. Sinto muito, é o que posso ver. Não quero parecer arrogante em dizer isso, mas peço que sejam inteligentes e capazes o suficiente para admitir que o que digo é verdade. Não me arrependo de meu atual isolamento, isso é pra mim maravilhoso! Admito que essa nova visão pouco vale se não for compartilhada, mas se for compartilhada com mentes incapazes de entender, o sentido continuará sendo ínfimo.

É com extrema leveza que escrevo essas palavras, elas vem a mim como forma de alívio, como forma de rendição pelos dias que senti-me culpada. Sim, eu me rendo! Estou entregue agora somente ao que de certo vale, a busca por minhas dúvidas, por meus sonhos, meus objetivos que, creio eu, não são mais os mesmos e tão pouco foram comprados ou aceitos como uma verdade hereditária. Sim, também estou sozinha assim como vocês, a diferença é que em mim não se pode encontrar o vazio daqueles que vendem os seus sonhos e mendigam um pouco de atenção dos olhos de quem se quer sabe que vocês existem. Desejo a vocês boa sorte e se, por ventura um dia quiserem conversar, estarei aqui para falar de ideias, não de pessoas.

domingo, 15 de junho de 2014

Eu-livro

Eu sou um livro que já cansei de ler. Todos os personagens seguem o mesmo roteiro que outros, os cenários não mudam, a forma como se dão os fatos são extremamente previsíveis e a única coisa que me difere de um clichê é o "felizes para sempre". Esse não acontece na minha história. Especialmente por estar no plural. Eu-livro sou mais um diário, pois aconteço sozinha, isolada, singular. Breves são os momentos que aconteço no plural, que me SINTO no plural. Sou um livro que remete ao tédio, mais dramático do que deveria ser. Creio que a história seria mais interessante se Eu-livro funcionasse no nível de minha imaginação. Se fosse escrito da forma como o penso, como o quero realmente, mas a verdade é que não julgo ser uma boa escritora. Não consigo transpor às linhas dos meus dias a história que lhes planejo. Por isso digo que sou um livro que já cansei de ler. Conheço o final de tudo que se passa no enredo, e mesmo que minhas expectativas para o desfecho sejam melhores, a tinta da caneta sempre acaba nas melhores histórias.

  Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...