domingo, 31 de agosto de 2014

Maldita imortalidade

Queria não mais ser imortal. Queria não mais ter sempre esse "dia de amanhã" que me serve como pretexto para adiar as coisas. Queria que minha vida fosse condenada a finitude, para que eu pudesse entender o valor real de cada minuto, para que eu pudesse estar sempre aberta às infinitas oportunidades que a vida me dá e oferece aos que nela demonstram interesse. É uma pena que eu seja imortal, pois sendo assim, sei que terei o dia de amanhã para começar algo que desejo hoje. Sei que se não for nesse chuva, será na próxima que irei molhar os meus pés. Sei também que aquele convite dos meus amigos pode ficar para outro dia, pois eles, assim como eu, viverão pra sempre. Isso é certamente uma pena, essa condição infinda me tornou uma exímia procrastinadora. Até mesmo as tarefas que considero "compromisso" eu guardo para o dia de amanhã.
Além de tudo que já disse, se eu soubesse que minha vida teria um fim, amaria o maior número possível de pessoas e consideraria o amor como sendo algo bom com prazo de validade indeterminado. Me encantaria todas as vezes que ele (o amor) morresse e se transformasse. Como minha vida estaria fadada a terminar, não me importaria se esse(s) amor(es) durasse(m) uma noite, um olhar, ou o resto da minha efêmera vida. Ah, tudo seria mais belo se eu fosse mortal!
É uma pena que eu e meus semelhantes sejamos todos imortais, pois deixamos de ter consciência do quanto a vida pode nos surpreender se, em contrapartida, não nos deixássemos para amanhã.

Um comentário:

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