quarta-feira, 1 de maio de 2013

Não dessa vez


Desejar o impossível sempre foi um dom e sempre tive a certeza de que conquistaria. Porém, dessa vez é diferente, estou encantada com algo que SEI que não posso ter. Nada pode comprar o que o coração não entrega de bom grado, e nesse caso estou mais ferrada do que pensei. Mais de três anos que te guardei na mente, uma bela cor e charme na voz. Tu foste a única "missão impossível" que não decidi aceitar – pois na minha condição nunca me senti páreo para tal luta – eu sabia que não fazia parte do mundo que reconhecia como teu. Enfim, te mantive apenas em meus pensamentos. Porém, certa vez, (anos depois) fiquei sabendo que tu estarias circulando no mesmo ambiente do qual todas as noites estou, fiquei feliz por saber que meus olhos de novo poderiam ver-te. Tu és lindo de fato. Quando tu me dizias "oi" eu ficava sem jeito, abobada, até nem acreditava que novamente estava ouvindo tua envolvente voz. Desculpe se por vezes pareci idiota de mais, mas eu não conseguia manter o controle. Decidi que falaria para ti o quanto tu és encantador. Em tom de brincadeira, é claro, não sou tão cara de pau assim. De qualquer forma, tive a certeza do que sempre soube: “Somos amigos”. Dessa vez me feri. Agora entendo um pouco do que os meninos para quem já disse isso devem ter sentido, fiquei pensando nas tuas palavras e quis fazer algo para me tornar “suficientemente boa pra ti”. Sabe, eu queria que tu quisesse, mas nada do que eu fizer poderá tornar esse "sonho" possível. Olho nos teus olhos; viajo. Acho que até deixo transparecer minha “tristeza” por não poder alcançar teu coração. Me conformo, pela segunda vez, em guardar apenas uma lembrança do que em devaneios, pensei que um dia teria.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

Derreteu-se




Eu sei que não temos nenhuma espécie de compromisso, mas devo confessar que o teu convite a ela mexeu comigo. É coisa que se arrasta há tempos, desde a escola. Não tenho uma resposta para o meu ciúme descontrolado, mas queria nunca ter dito teu nome pra ela. Sim, nós somos amigas. Colegas pra ser mais exata. Mas mesmo eu alertando-a que já estava nesse jogo ela não evitou em por suas cartas na mesa também. E está certa, tu és uma graça mesmo. Só vou lamentar por ter ido naquele aniversário domingo e deixado o sorvete pra outro dia. Agora nem domingo, nem segunda, nem terça, o sorvete derreteu e eu fiquei só na vontade. 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

póstumo adeus


Eu morri sem chances de despedida

Não foi uma doença que me levou embora, meus pais não puderam chamar a família e eu não pude abraça-los e nem abraçar meus amigos, não pude tirar as fotos que queria nem terminar meus textos ou concluir a faculdade. Eu parti. Junto comigo todas as esperanças de um futuro bom, todas as memórias, passado presente e futuro enterrados comigo. Estou triste. Sei que partir deixou muitas pessoas que amo chorando, esperando pelo meu consolo, mas daqui onde estou agora não posso fazer mais nada, não da forma como eles gostariam... Um último beijo, um eu te amo... Minhas chances partiram. Agora vejo que todo meu medo e vergonha fizeram-me perder coisas incríveis das quais não quis tentar por achar que iria perder o jogo ou pensando no que iriam dizer. Queria voltar para pelo menos concluir a minha lista de mais ou menos 50 coisas que eu gostaria de fazer. Queria concluir meus planos inadiáveis que sempre adiei. Queria voltar e tratar meus pais como reis, dar o meu melhor a eles, vendo-os agora... eu nem imaginava que me amassem tanto! Queria também ser a melhor amiga da minha irmã. Que ela me admirasse e ser um bom exemplo à ela. Sonhei em ajudá-la com boas palavras, coisas que nem os pais nem os amigos dizem. Algo que ela pudesse levar para sua vida inteira, e no final das contas ela visse que conseguiu chegar ao sucesso. Queria assistir o seu sucesso. Mas agora eu parti, de repente, sem aviso. Nem mesmo tempo da última oração, um pedido humilde para que Deus carregasse minh’alma no colo ou que andasse ao meu lado, já que nunca gostei de andar sozinha. As coisas ainda estão estranhas pra mim, estou de luto também, porque assim como os que ficaram me perderam, eu os perdi igualmente. Perdi seus abraços, cheiro, sorriso, gritos, cantos, voz... Perdi tudo o que poderíamos viver. Morri outra vez por saber que não os terei nunca mais. Estou só. Triste, querendo voltar; mas não posso. Queria que lessem minha carta que agora escrevo e mente. Se eu tivesse mais uma chance lhes mostraria o quando a vida é preciosa, faria com que vissem o milagre do ar em nossos pulmões, a vitalidade que é um coração pulsante. Agora não sinto nada, não tenho cãibras, dor de cabeça ou cólica, meus órgãos estão parados, e essa sensação de não viver é horrível! Espero que um dia, não tarde, entendam a divindade que é a existência e comecem fazê-la valer a pena, comecem a viver para agradar a única pessoa que passará a eternidade ao seu lado: Você mesmo!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012


Sei que vou morrer sem lembranças, mas acho que isso nem é culpa minha ou de quem eu queira culpar. Estou presa, trancada, isolada do mundo. Mundo de aparências, que julgam as pessoas pela sua casca, mas uma coisa eu sei, tudo o que tem forma um dia se vai, quebra, se rompe e tudo o que eu poderia carregar eu nunca pude colher: Boas lembranças. Minha vida está a cada segundo mais breve, mais efêmera, cada dia estou mais perto do fim, esperando um grande dia, um bom momento para começar. Sinto pena de mim, sei que vou morrer, não sei se logo ou tarde, mas no fim das contas isso não importa. Não se tem vida na minha atual vida, se é que se pode entender isso. Eu vejo pessoas partindo e as vezes tenho vontade de acompanhá-las, quiçá para um lugar melhor ou nem que seja para o fim. Para fundo, para o nada. Pelo menos meus olhos estariam fechados e eu não veria tudo o que eu estou perdendo estando aqui. Queria encontrar a paz, a felicidade, a minha liberdade de poder viver da minha forma, mas estão todos cegos, todos iludidos por um futuro que não existe. Relacionamentos são apenas um comércio, onde você me oferece o seu dinheiro e eu abro minhas pernas, eu te dou minha companhia... É assim que querem que eu seja, fantoche do mundo moderno. Que trabalhe para pagar um bom estudo e estude para ter um bom trabalho. Mas sabe, essa não é a minha concepção de vida e se eu puder fazer uma escolha, eu escolho partir.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Se quiser crescer


O teu eu é grande de mais pro teu tamanho, o teu outro não é tão pequeno e inferior como tu pensas. Tu não és e nem serás alguém especial para nenhum outro enquanto não fores pra ti mesma. Tu fuga eterna, tua introjeção de tudo que é bom ou mal, quando explode eclode de maneira errada. Não aprendeste o meio termo, não aprendeste o equilíbrio entre o que é teu e o que é do outro. O mundo não tem culpa da tua infelicidade nem responsabilidade pela tua felicidade. Aprenda que enquanto não fortificar o teu ego frágil serás para sempre vulnerável, e não há lugar no mundo onde possas fugir de ti mesma. Enfrenta-te! Aceite que as pessoas têm outras preocupações, que teus amigos são humanos e que teus pais também merecem a vida livre como tu anseias. Cresça! E comece isso por dentro, se não terminarás sozinha com a pior das companhias: a tua! Veja se consegue entender que maturidade não se mede apenas por quantas vezes tu abres as pernas, mas por quantas vezes tu és capaz de abrir a mente. Pare de fechar a cara pra quem esteve do teu lado, caso contrário, nem se quer sentirão tua falta. E quando todos se acostumarem com tua ausência, será tarde de mais para querer mudar.


sábado, 10 de novembro de 2012

Elo


          Não se prenda a mim, não quero manter-te como meu refém e nem quero ser seu cárcere. Eu não preciso de você assim como você não precisa de mim. Nós fingimos que nos precisamos. Fiz-te minha água e meu alimento assim como tu fizeste a mim também. Enganamos-nos acreditando que somos necessários um ao outro. Somos na verdade, dependentes.
         Somos a melhor companhia, a melhor conversa e a única pessoa com quem pensamos estar. Não experimentamos nada, não conhecemos mais ninguém. Somos autossuficientes no que diz respeito a dividir horas do dia. Estamos aprisionando um ao outro e a nós mesmos sem nos darmos conta disso. Tu mudaste muitas coisas em mim, mais até do que eu posso ver.
Apesar de meus risos serem vazios, eles se tornam agradavelmente vazios quando compartilhados contigo e não há ninguém que escute o silêncio comigo tão bem quanto você faz. Se eu conhecesse o amor, poderia dizer que te amo. Porém, creio que esse amor pode ser tanto pra mim quanto pra ti, a única coisa que nos resta. Tu estás entregue a mim, e eu a você. Respeitamos um acordo que nem se quer foi selado, mas pra ser sincera, tenho muito medo de perder tudo isso.
Queria te libertar, pois como já diz Shakespeare “(...) a sutil diferença entre estender a mão e acorrentar uma alma.”, não quero ser a corrente que te prende, apesar de ter medo que vás embora. Gosto de ti a ponto de poder ver (e aceitar) que tua felicidade pode estar longe de mim. Não conheço teus sentimentos e nem se quer entendo os meus, mas meu grande temor é te carregar comigo nesse meu caminho sem rumo, vazio, frio e incerto. Desejo pra ti o sucesso que tu merece, alguém que possa retribuir e não só reconhecer o teu valor. E se há algum sentimento bom em mim, ele existe porque você existe.


terça-feira, 25 de setembro de 2012

Agosto em mim


Sinto que as pessoas estão se afastando e que não tenho ninguém ao meu lado. É como se eu perdesse tudo aquilo que cativei. Amigos, trabalho, pseudo-amores, e até os ídolos para quem jurei amor eterno. Tudo está em falta!
Esse sentimento se torna mais concreto na medida em que os fatos vêm se apresentando aos meus olhos, e minha pior descoberta foi a de que sou eu quem afasta de mim tudo e todos aqueles que gosto. O problema está me circundando e mergulha e mim. Esse problema sou eu. Minhas atitudes, meus pensamentos e a resistência que tenho de criar laços fortes me remetem ao incrível medo que tenho de perder tudo que cativei.
Peço perdão se te magoei, não foi a intenção. Às vezes as palavras são ditas sem intencionalidade, vem de um eu que não é o meu, vem do meu lado ruim. Eu sinto muito, mas estou em um processo de transformação. Estou no meu agosto. O mês conhecido pelos maus agouros, coisas ruins que pressagiam mudança. Só não sei como reagirei a esse mês-em-mim. Não sei se sairei ilesa ou se perderei muitas folhas de minha árvore. Não sei se deixarei o coração congelar ou permitirei às flores que nasçam. Sinceramente, não sei o que esperar de mim.
Pelo que me parece, serei uma árvore solitária, que deixa cair as folhas aos pés e não sabe como fazer para juntá-las. Estou perdendo essas partes que deixei crescer em mim. E isso dói.
Se servir de consolo para as feridas do tombo – que os que se prendiam a mim tiveram na hora da queda – eu também estou machucada. Não quero pedir-lhes que tenham pena, cada um passa por seu agosto de uma forma, e ninguém pode converter ou interferir nisso. Mas tudo o que fiz e falei, eu sinceramente posso dizer que foi pensando no bem de vocês, em agradar vocês. Mas nem sempre eu consigo acertar. Além do mais, não me sinto merecedora de tudo aquilo que vocês representam para mim. Eu sinto muito se os magoei – sé é que de veras sou (ou fui) importante.
Isso até parece uma carta de despedida, mas não tenho coragem o suficiente para sair de cena. Não por enquanto, e que o céu me proteja para que eu nunca venha a ter. Só quero pedir mais uma vez que me perdoem, e se possível for entendam que eu também preciso de compreensão. Muitas vezes doei-me em prol de vocês, agora peço que se conseguirem me entendam também. Não venho sendo eu nos últimos dias. É culpa do meu agosto tenho certeza, sei que ele veio para me mostrar o peso que as mudanças trazem, e também para me confrontar com os meus piores "eu's". No final das contas, é só mais uma prova, um teste para saber o que eu aprendi até aqui. Um jeito da vida avaliar como eu me saio e se aprendi algo bom nos anos até aqui.
Mas sabe-se que todas as estações passam, e como ouço dizer: “Se o agosto não me levar, outro não leva”.



  Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...