Desejar
o impossível sempre foi um dom e sempre tive a certeza de que conquistaria. Porém,
dessa vez é diferente, estou encantada com algo que SEI que não posso ter. Nada
pode comprar o que o coração não entrega de bom grado, e nesse caso estou mais
ferrada do que pensei. Mais de três anos que te guardei na mente, uma bela cor
e charme na voz. Tu foste a única "missão impossível" que não decidi
aceitar – pois na minha condição nunca me senti páreo para tal luta – eu sabia
que não fazia parte do mundo que reconhecia como teu. Enfim, te mantive
apenas em meus pensamentos. Porém, certa vez, (anos depois) fiquei sabendo que
tu estarias circulando no mesmo ambiente do qual todas as noites estou, fiquei
feliz por saber que meus olhos de novo poderiam ver-te. Tu és lindo de fato.
Quando tu me dizias "oi" eu ficava sem jeito, abobada, até nem
acreditava que novamente estava ouvindo tua envolvente voz. Desculpe se por
vezes pareci idiota de mais, mas eu não conseguia manter o controle. Decidi que
falaria para ti o quanto tu és encantador. Em tom de brincadeira, é claro, não
sou tão cara de pau assim. De qualquer forma, tive a certeza do que sempre
soube: “Somos amigos”. Dessa vez me feri. Agora entendo um pouco do que os
meninos para quem já disse isso devem ter sentido, fiquei pensando nas tuas
palavras e quis fazer algo para me tornar “suficientemente boa pra ti”. Sabe, eu
queria que tu quisesse, mas nada do que eu fizer poderá tornar esse
"sonho" possível. Olho nos teus olhos; viajo. Acho que até deixo
transparecer minha “tristeza” por não poder alcançar teu coração. Me conformo,
pela segunda vez, em guardar apenas uma lembrança do que em devaneios, pensei
que um dia teria.
Sei que vou morrer sem lembranças, mas acho que isso nem é culpa minha ou de quem eu queira culpar. Estou presa, trancada, isolada do mundo. Mundo de aparências, que julgam as pessoas pela sua casca, mas uma coisa eu sei, tudo o que tem forma um dia se vai, quebra, se rompe e tudo o que eu poderia carregar eu nunca pude colher: Boas lembranças. Minha vida está a cada segundo mais breve, mais efêmera, cada dia estou mais perto do fim, esperando um grande dia, um bom momento para começar. Sinto pena de mim, sei que vou morrer, não sei se logo ou tarde, mas no fim das contas isso não importa. Não se tem vida na minha atual vida, se é que se pode entender isso. Eu vejo pessoas partindo e as vezes tenho vontade de acompanhá-las, quiçá para um lugar melhor ou nem que seja para o fim. Para fundo, para o nada. Pelo menos meus olhos estariam fechados e eu não veria tudo o que eu estou perdendo estando aqui. Queria encontrar a paz, a felicidade, a minha liberdade de poder viver da minha forma, mas estão todos cegos, todos iludidos por um futuro que não existe. Relacionamentos são apenas um comércio, onde você me oferece o seu dinheiro e eu abro minhas pernas, eu te dou minha companhia... É assim que querem que eu seja, fantoche do mundo moderno. Que trabalhe para pagar um bom estudo e estude para ter um bom trabalho. Mas sabe, essa não é a minha concepção de vida e se eu puder fazer uma escolha, eu escolho partir.



