Depois de você
A vida é um suicídio lento
Onde eu me mato aos poucos
Para igualar a morte
Que tua ausência causa.
Eu quero morrer à míngua
Morrer de destruição
Quero morrer por descuido
Por automutilação
Lentamente.
Tenho me feito sofrer
Propositalmente.
Meu corpo é um prédio
Em demolição
Eu sou o prédio,
O guindaste,
A implosão.
Destruição não calculada,
Intuitiva,
Desalmada.
Só sinto pena de mim.
O que estou fazendo comigo?
Bebo o veneno
Pensando no antídoto
E do meu corpo sinto pena
Porque minhas escolhas
Já não me pertencem
E aos poucos
Chego mais perto do pó
“o que da terra veio a terra retornará”
Mas sigo sem pressa,
Minha hora vai chegar.
Não quero,
Mas não evito.
Eu vou morrer de ausência
Sua.
