quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

FORÇAS



Dentro de mim há duas energias que não consigo explicar. Chamo-as de "Forças". Essas Forças são absolutamente antônimas e mantêm-se num cabo-de-guerra. Tem uma Delas que é clara, com brilho ofuscante capaz de clarear o mundo quando está em Seu ápice. Essa Força quer uma revolução, quer derrubar os limites e conquistar o amor. Quer ser em Si Mesma toda amor. Quando Ela está vencendo a batalha encho-me de vigor para lutar, para buscar coisas novas e tenho vontade de transformar tanto a minha vida quando a vida dos que precisam de ajuda.
Mas há também a Força arrebatadora e obscura que enche meu coração de dor e meus olhos de lágrima. É a Força que me faz querer morrer cada dia um pouco, que joga em mim a realidade que é a vida, que faz questão de gritar o quanto sou pequena e inferior em relação ao mundo. Essa Força é um buraco negro que engole tudo o que há a Sua volta. Quando Ela está vencendo a batalha do cabo-de-guerra a derrota de ser humana reflete-se em meus olhos e sinto-me morta por dentro.
É como o Lobo que habita em Harry Haller, rindo das minhas tentativas de ser melhor. Essa Força me faz desacreditar, me toma os sonhos, o amor, o encanto pelas coisas do mundo... Me enfraquece.

Eu fico como plateia nessa luta entre Elas e por vezes já não sei qual das duas é mais ou menos parte de mim.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Eles voltaram

Eles bateram na porta, me assustei porque pensei que não voltariam mais. Já haviam ido embora há alguns meses e, mesmo quando tentei chamá-los, se quer mandaram um sinal. Mas, dessa vez, eu ouvi-os chegar. Claramente reconheci aquelas batidas que são sempre desesperadas, como se necessitassem de alguém para lhes servir de abrigo, alguém para dar a eles um espaço, um lugar. A batida do retorno doeu, creio que a surpresa foi em especial responsável por isso. Senti-a muito forte dessa vez, mas admito, já houve piores.
Aproximei-me do portão de entrada e quase fui pisoteada ao permitir a passagem. Alguns deles queriam agredir, outros vieram por vingança, teve os que vieram para roubar tudo o que havia de bom em mim. Só que no meio dessa massa vieram também alguns para me consolar, me acalmar e livrar-me de todos os outros invasores. 
Essa legião que bateu à minha porta eram os poemas, que só chegam quando a chave da tristeza abre as portas que me protegem. No entanto, sempre há algum dentre todos que me acalmam e ajudam-me a me recompor. Mas, por melhor que eu tenha saído dessa "visita", confesso que não sentirei saudades quando partirem.


  Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...