segunda-feira, 7 de abril de 2014

Opostamente iguais


"Eu vou procurar de todas as formas chegar mais perto de ti
Reinventar-me, politizar-me, ser mais do que um dia pensei.
Eu prometo..."

. . . 

Tu me prometes o teu mundo,
Tu me prometes até ser outra pessoa
Tu te negas para ser alguém visível a mim.
Eu percebo.

Mas não estou pedindo que seja grande coisa
Não estou te pedindo nada.
É pouco o que quero de ti,
Será que não percebes?
Sou tão vazio quanto você.

Não tentes encontrar em mim aquele que você idealizou
Nem de longe sou alguém capaz de salvar-lhe.
Não tenho amor suficiente para lhe ofertar,
E tu sabes, sou tão vazio quanto você.

Queria eu um dia poder ser o herói dos teus devaneios
Também não tenho a mínima ideia de quem eu sou
Eu finjo ser porque tu te agradas
E porque muitas se agradam nisso,
Mas a verdade é que sou tão vazio quanto você.

Eu vejo os teus olhos brilharem,
Eu vejo tuas palavras fugirem
Eu vejo que sou o que tu sonhas,
Mas por favor, não me idealize,
A perfeição está longe do que sou realmente.

Não me culpe por não te corresponder
É que isso tudo é de mais pra mim,
que sonho com liberdade
Eu quero ser livre!
Mas mesmo sendo livre, sou tão vazio quanto você.

Toda essa oposição, todo esse esquerdismo,
É fruto do meu desajuste.
Sabes, não sou um conformado, eu luto pelos meus ideais.
Eu sei que minhas lutas são meras utopias,
Mas ajudam-me a me manter ocupado
E esquecer que são tão vazio quanto você.

Queria te dizer, pequena, que me pertenço.
Sinto muito por não te prometer nada,
Sinto muito por não querer tuas promessas
Sinto muito por me envaidecer da tua pobreza
Tu adoras me mostrar tuas fraquezas e insegurança,
Eu acho graça, quem sabe é porque me faça ver

Que você é tão vazia quanto eu.

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