domingo, 16 de fevereiro de 2014

ESPELHO, ESPELHO MEU

Nada era mais custoso para mim do que forjar um amor próprio. Terminei por odiar em mim os traços dos quais mais me orgulhava. De que adiantavam-me o conhecimento, o gosto refinado e peculiar, se tudo isso me afastou de todos e só serviu pra confirmar minha solidão?
          Vi minha face desfazendo-se diante do espelho enquanto a contemplava numa profunda meditação. Aos poucos saltaram aos meus olhos todas as partes que conhecia de minha alma, todas as pessoas que fui e também as que gostaria de ter sido mostraram-se para mim. Confundi por instantes realidade e fantasia.
Aquele momento de contemplação e esvaziamento de todos os “eus” terminou deixando-me profundamente só, mas dessa vez era diferente, não era a solidão que estava habituada, assemelhava-se mais ao “estado alpha” da mente, onde nenhum pensamento, julgamento ou condenação pareciam me atingir. Era como se tudo a mim pertencesse, como se a tudo EU pertencesse.
Quando retirei-me dos conceitos que tinha do meu “eu”, foi que pude verdadeiramente me encontrar. Claramente obtive a resposta que há anos buscava, eu era muito mais do que podia explicar e a melhor forma de me conhecer era aceitar e reconhecer meus desejos profundos. Eram eles que carregavam a voz, a essência da minha alma. Quanto mais conheço o que há em mim, mais próxima me sinto da verdade.

É ai que começa o novo processo da autoevolução: o que fazer com essa verdade recém descoberta? Nem todos estão preparados para conhecer a si mesmo. O encontro do eu requer muitas desconstruções. Quando todos os conceitos morrem a alma encontra caminho para conversar com a consciência. Quando todos os conceitos morrem é que podemos nascer.

 

Um comentário:

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