Nada
era mais custoso para mim do que forjar um amor próprio. Terminei por odiar em
mim os traços dos quais mais me orgulhava. De que adiantavam-me o conhecimento,
o gosto refinado e peculiar, se tudo isso me afastou de todos e só serviu pra
confirmar minha solidão?
Vi minha face desfazendo-se diante do espelho enquanto a
contemplava numa profunda meditação. Aos poucos saltaram aos meus olhos todas
as partes que conhecia de minha alma, todas as pessoas que fui e também as que
gostaria de ter sido mostraram-se para mim. Confundi por instantes realidade e
fantasia.
Aquele
momento de contemplação e esvaziamento de todos os “eus” terminou deixando-me
profundamente só, mas dessa vez era diferente, não era a solidão que estava
habituada, assemelhava-se mais ao “estado alpha” da mente, onde nenhum
pensamento, julgamento ou condenação pareciam me atingir. Era como se tudo a
mim pertencesse, como se a tudo EU pertencesse.
Quando
retirei-me dos conceitos que tinha do meu “eu”, foi que pude verdadeiramente me
encontrar. Claramente obtive a resposta que há anos buscava, eu era muito mais
do que podia explicar e a melhor forma de me conhecer era aceitar e reconhecer
meus desejos profundos. Eram eles que carregavam a voz, a essência da minha
alma. Quanto mais conheço o que há em mim, mais próxima me sinto da verdade.
É ai
que começa o novo processo da autoevolução: o que fazer com essa verdade recém descoberta?
Nem todos estão preparados para conhecer a si mesmo. O encontro do eu requer
muitas desconstruções. Quando todos os conceitos morrem a alma encontra caminho
para conversar com a consciência. Quando todos os conceitos morrem é que
podemos nascer.
Neste mundo pré-escola, evoluir em regra isola.
ResponderExcluirGK