Percebe que nas brigas
alguém tem que ceder, e quem faz isso geralmente é o mais forte, aquele que
sabe que não vai cair se descer alguns degraus de sua arrogância. Mas na briga
onde os dois são fracos e tem medo de demonstrar o quanto estão caídos, ou pior,
quando querem demonstrar qual mais está no chão, as coisas ficam difíceis. Estouram
para lados que tentavam segurar as coisas, destruindo os pilares e pouco a
pouco a casa toda desaba. Descobre-se então que tais pilares eram cordas efêmeras
que seguravam uma construção que já havia desmoronado há muito tempo. Essa é a
minha casa, ou pelo menos, o que restou dela. Dizem que aqui dentro sou um
vírus, que age silenciosamente e gosta de ver as coisas se destruindo. É
mentira, eu só não me culpo por coisas que não sinto ser minha responsabilidade.
Mas sim, eu sei que como todos aqui faço parte da doença, só não apresento os sintomas.
Não pra eles pelo menos, que gostam de mostrar como estão piores do que eu. Tudo
bem, meu silêncio sempre me fez companhia e de certa forma me protege. Como forma
de protesto tento provar o quanto estou bem e finjo que não há nada de errado
aqui dentro. O ruim disso tudo é que os convenço disso, o que me torna alvo
fácil para se lançarem os dardos do desgosto, amargura, infelicidade e culpa,
afinal, como pode apenas uma dentro dessa selva não estar queimando com a nossa
febre?
terça-feira, 24 de setembro de 2013
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