Percebe que nas brigas
alguém tem que ceder, e quem faz isso geralmente é o mais forte, aquele que
sabe que não vai cair se descer alguns degraus de sua arrogância. Mas na briga
onde os dois são fracos e tem medo de demonstrar o quanto estão caídos, ou pior,
quando querem demonstrar qual mais está no chão, as coisas ficam difíceis. Estouram
para lados que tentavam segurar as coisas, destruindo os pilares e pouco a
pouco a casa toda desaba. Descobre-se então que tais pilares eram cordas efêmeras
que seguravam uma construção que já havia desmoronado há muito tempo. Essa é a
minha casa, ou pelo menos, o que restou dela. Dizem que aqui dentro sou um
vírus, que age silenciosamente e gosta de ver as coisas se destruindo. É
mentira, eu só não me culpo por coisas que não sinto ser minha responsabilidade.
Mas sim, eu sei que como todos aqui faço parte da doença, só não apresento os sintomas.
Não pra eles pelo menos, que gostam de mostrar como estão piores do que eu. Tudo
bem, meu silêncio sempre me fez companhia e de certa forma me protege. Como forma
de protesto tento provar o quanto estou bem e finjo que não há nada de errado
aqui dentro. O ruim disso tudo é que os convenço disso, o que me torna alvo
fácil para se lançarem os dardos do desgosto, amargura, infelicidade e culpa,
afinal, como pode apenas uma dentro dessa selva não estar queimando com a nossa
febre?
terça-feira, 24 de setembro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Eu em ti
Tenho medo que você desista de mim, estou lutando tanto
para entender você, cuidando tanto para não te magoar, não sei, mas eu gosto de
você. Acontece que não sei qual é o teu medo, não quero ser tua dona e nem
pretendo mudar tua vida, só pensei que seria legar ter alguém para caminhar do
meu lado nas tardes de sábado e dormir comigo num domingo frio e chuvoso. Posso
estar querendo de mais em pedir tua companhia, mas o teu mistério me atrai e
queria ser tua por mais tempo. Sinto muito se não sou perfeita e se não consigo
chegar perto do que tu esperavas, não sou o que tu esperavas. Fico triste
porque é a primeira vez que acredito que algo pode dar certo e me deparo com a realidade de que só
acreditar não é suficiente para algo acontecer. Quem sabe eu estivesse
engana, mas creio que não. Eu mudei o meu jeito para poder entender você, mas
não consigo viver assim pra sempre eu acho, queria conseguir fazer você ver que
te considero alguém especial e que jamais faria algo pra te magoar. Estou me
tornando paciente, coisa que antes nunca fui. Paro para me explicar e faço
questão que me entendas, mas tu não me falas se de fato queres isso. Eu
sei, tu não me pediste nada, nem se quer sei o porquê procuro te tratar tão bem.
Deve ser porque tu me parece efêmero, fraco, com seu eu guardado por muros de
vidro – vulnerável demais. Eu quero cuidar de ti, ajudar-te a reconstruir-te.
Não sei se posso fazer isso, mas gostaria de tentar.
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