Sinto que as pessoas estão se
afastando e que não tenho ninguém ao meu lado. É como se eu perdesse tudo
aquilo que cativei. Amigos, trabalho, pseudo-amores, e até os ídolos para quem
jurei amor eterno. Tudo está em falta!
Esse sentimento se torna mais
concreto na medida em que os fatos vêm se apresentando aos meus olhos, e minha
pior descoberta foi a de que sou eu quem afasta de mim tudo e todos aqueles que
gosto. O problema está me circundando e mergulha e mim. Esse problema sou eu. Minhas
atitudes, meus pensamentos e a resistência que tenho de criar laços fortes me remetem
ao incrível medo que tenho de perder tudo que cativei.
Peço perdão se te magoei, não foi
a intenção. Às vezes as palavras são ditas sem intencionalidade, vem de um eu
que não é o meu, vem do meu lado ruim. Eu sinto muito, mas estou em um processo
de transformação. Estou no meu agosto. O mês conhecido pelos maus agouros,
coisas ruins que pressagiam mudança. Só não sei como reagirei a esse mês-em-mim. Não sei se sairei ilesa ou se
perderei muitas folhas de minha árvore. Não sei se deixarei o coração congelar
ou permitirei às flores que nasçam. Sinceramente, não sei o que esperar de mim.
Pelo que me parece, serei uma
árvore solitária, que deixa cair as folhas aos pés e não sabe como fazer para
juntá-las. Estou perdendo essas partes que deixei crescer em mim. E isso dói.
Se servir de consolo para as
feridas do tombo – que os que se prendiam a mim tiveram na hora da queda –
eu também estou machucada. Não quero pedir-lhes que tenham pena, cada um
passa por seu agosto de uma forma, e ninguém pode converter ou interferir nisso. Mas tudo o
que fiz e falei, eu sinceramente posso dizer que foi pensando no bem de vocês,
em agradar vocês. Mas nem sempre eu consigo acertar. Além do mais, não me sinto
merecedora de tudo aquilo que vocês representam para mim. Eu sinto muito se os
magoei – sé é que de veras sou (ou fui) importante.
Isso até parece uma carta de
despedida, mas não tenho coragem o suficiente para sair de cena. Não por
enquanto, e que o céu me proteja para que eu nunca venha a ter. Só quero pedir
mais uma vez que me perdoem, e se possível for entendam que eu também preciso
de compreensão. Muitas vezes doei-me em prol de vocês, agora peço que se conseguirem me entendam também. Não venho sendo eu nos últimos dias. É culpa do meu agosto
tenho certeza, sei que ele veio para me mostrar o peso que as mudanças trazem, e também para me confrontar com os meus piores "eu's". No final das contas, é só mais uma prova, um teste para saber o que eu aprendi até aqui. Um jeito da vida avaliar como eu me saio e se aprendi algo bom nos anos até aqui.
Mas sabe-se que todas as estações passam, e como ouço dizer: “Se o agosto não me levar, outro não leva”.
Mas sabe-se que todas as estações passam, e como ouço dizer: “Se o agosto não me levar, outro não leva”.
