E não importa o quanto as feridas
doam, eu mergulho nelas cada vez mais. Como quem mergulha num rio de lavas, e
vai derretendo devagarinho... Assim é que me encontro. Esperando que tu sinta
pena de mim e volte. Que venha me consolar e dizer que tudo isso é mentira, que
a morte é o nome de uma cidade secreta guardada por Deus, onde as
pessoas possam ir e voltar sem restrições de tempo e espaço...
Eu fico aqui esperando que tu
venhas de novo sentar-se ao meu lado, falar bobagens, me fazer feliz... Eu fico
tão no passado que esqueci que o teu presente naquelas alturas era outro. Quem
sabe tuas atitudes tenham feito você partir prematuramente. Quem sabe não. Não sei
o que a vida reserva para cada um, e sei menos ainda o que a morte reserva!
Tomara que você esteja bem,
porque eu não estou. Sabe querido, eu fico culpada se chego a esboçar um
sorriso, ou quando sinto o calor do corpo de alguém. Tu estavas frio. Como eu
estou me sentindo agora. Meu Deus se eu pudesse te abraçar, é só nisso que eu
penso. Não ia largar nunca mais! Ia te proteger, ia te cuidar, ia te pegar pra
mim. Volta? Se isso for possível... Volta em sonho, vem me visitar em outro
plano para eu matar a saudade.
Vem!
Prometo que não vou ter medo,
prometo que não vou fazer perguntas indevidas, prometo esquecer um pouco a
realidade e ficar contigo em uma dimensão longe daqui. Vem me dizer tchau para
eu te libertar, e tu me libertar também. Vem pra eu dizer que sinto tua falta e
como eu amava o teu calor, teus olhos, tuas mãos... Vem pra eu te olhar um
pouco, guardar lembrança, me sentir em paz... Vem sentar do meu lado para ouvirmos um ao outro e estarmos um com o outro. Vem!
Prometo que não vou
fugir, correr, sentir medo, NADA. Vem que quero te ver.
Vem!




