quarta-feira, 16 de julho de 2014

Aqui, falta.






Tem um grito aqui dentro, tem desespero, tem um medo insistente e paralisante, tem um nó na garganta, tem um quê de vontade com um quê de desejo, eu só sinto, não vejo. Tem horror alarmante, tem perigo adiante, tem sombra que segue, mas não tem vento que leve essa dor de não ser, eu. Já faz tempo que corro na direção do nada, para me encontrar já não sei mais qual a estrada. Ou será o mar? Ou será o céu? O que será que guarda o meu eu? Estou em uma caixa, embaixo de um pano, embaixo de um véu? Só sei que preciso gritar, mas gritar tão alto para ver se sou ouvida pela parte de mim perdida, que nem ao menos sei se jaz em vida, mas não me canso de buscar.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Libertar-se

O libertar-se é um exercício diário, especialmente quando se trata de perceber que os outros não nos pertencem. Sim, eu também sofro com isso, mas estive pensando que ser de apenas um e esperar que ele seja só meu, é no mínimo, egoísmo. Não consigo pensar em algo mais narcísico do que achar que eu, entre 7 bilhões de pessoas, reúno TODAS as qualidades, defeitos e características das mais variadas que sejam suficientemente melhores do que as outras 6,9 Bilhões. Me incomoda profundamente sentir ciúmes, mas sabe o porquê desse desconforto? Porque ao sentir ciúme me percebo inferior às outras pessoas. A dita "traição", não é mais do que uma queda do trono da onipotência do "apenas eu" na vida de alguém. Um relacionamento só ser válido enquanto o outro concordar ser aprisionado para satisfazer seu ego não me parece muito justo. Privações só geram desconforto e moralismo só gera condenação. Mas você é livre, claro, para concordar ou não.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Eu olho pra vocês e todos me parecem tão iguais. Desculpem, mas isso tem me feito cansada. Cansada das conversas, dos objetivos comprados, dos medos comuns, da solidão chorada... Estando ou não estando com alguém vocês sempre reclamam da mesma coisa: so-li-dão. É, é isso que pode-se concluir dos lamentos. Porém, se investigar mais a fundo, eu diria que isso não tem nada a ver com serem solitários, mas sim, com serem vazios. Todos, ou quase todos vocês conversam as mesmas coisas que há três ou quatro anos atrás conversavam. São infantis como eram quem sabe a mais tempo. Sinto muito, é o que posso ver. Não quero parecer arrogante em dizer isso, mas peço que sejam inteligentes e capazes o suficiente para admitir que o que digo é verdade. Não me arrependo de meu atual isolamento, isso é pra mim maravilhoso! Admito que essa nova visão pouco vale se não for compartilhada, mas se for compartilhada com mentes incapazes de entender, o sentido continuará sendo ínfimo.

É com extrema leveza que escrevo essas palavras, elas vem a mim como forma de alívio, como forma de rendição pelos dias que senti-me culpada. Sim, eu me rendo! Estou entregue agora somente ao que de certo vale, a busca por minhas dúvidas, por meus sonhos, meus objetivos que, creio eu, não são mais os mesmos e tão pouco foram comprados ou aceitos como uma verdade hereditária. Sim, também estou sozinha assim como vocês, a diferença é que em mim não se pode encontrar o vazio daqueles que vendem os seus sonhos e mendigam um pouco de atenção dos olhos de quem se quer sabe que vocês existem. Desejo a vocês boa sorte e se, por ventura um dia quiserem conversar, estarei aqui para falar de ideias, não de pessoas.

domingo, 15 de junho de 2014

Eu-livro

Eu sou um livro que já cansei de ler. Todos os personagens seguem o mesmo roteiro que outros, os cenários não mudam, a forma como se dão os fatos são extremamente previsíveis e a única coisa que me difere de um clichê é o "felizes para sempre". Esse não acontece na minha história. Especialmente por estar no plural. Eu-livro sou mais um diário, pois aconteço sozinha, isolada, singular. Breves são os momentos que aconteço no plural, que me SINTO no plural. Sou um livro que remete ao tédio, mais dramático do que deveria ser. Creio que a história seria mais interessante se Eu-livro funcionasse no nível de minha imaginação. Se fosse escrito da forma como o penso, como o quero realmente, mas a verdade é que não julgo ser uma boa escritora. Não consigo transpor às linhas dos meus dias a história que lhes planejo. Por isso digo que sou um livro que já cansei de ler. Conheço o final de tudo que se passa no enredo, e mesmo que minhas expectativas para o desfecho sejam melhores, a tinta da caneta sempre acaba nas melhores histórias.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Sem chão

Perdi o texto, as linhas, as palavras, o chão. Mas pior de tudo isso, foi perder as oportunidades. Ficar eternamente caminhando com o talvez não é menos doloroso que caminhar com o não. O talvez é quem sabe ainda pior, pois carrega a chance de ter sido um sim. Não vou explicar essas palavras, eu entendo o que quero dizer e basta. Explicar o que escrevi é prejulgar àqueles que leem e ainda, reduzir as várias possibilidades interpretativas. Enfim, só por ser confuso não é menos importante. No meio de tudo isso ficam as minhas afirmativas e a ilusão de estar certa das minhas não-escolhas, dos meus não-ditos, dos meus nãos por achar que não. Pra concluir, digo que ficar sem chão por momentos não é de todo ruim, pois é só assim que consigo voar.

sábado, 24 de maio de 2014

Mesma moeda

Provar do próprio veneno, 
Deitar na cama que fez, 
Colher o que planta, 
Receber na mesma moeda.
Feitiço virar contra o feiticeiro, 
Receber aquilo que dá, 
Ferir com ferro e com ferro ser ferido. 

A volta vindo e eu indo
ao encontro de tudo que já fui.
Mas agora como a vítima
Não mais sou a vilã
E por conhecer o fim da história
Começarei outra amanhã.


segunda-feira, 5 de maio de 2014

Eu sou ego, eu sou ísta, eu sou egoísta!

Um dose de egoísmo pode trazer doses de felicidade. Pensar um pouco em mim tem me feito uma pessoa melhor, ao menos pra eu mesma. Não acho que sou o centro do mundo, não acho que os outros devam me agradar ou fazer aquilo que eu quero, não peço bajulações ou demonstrações de afeto. Tudo que peço é que não esperem isso de mim. Tenho caminhado cada dia mais pra um amor profundo, amor próprio é claro, coisa que antes não soube valorizar. Agora quero encontrar um pouco de "eu" em mim, seguir minhas vontades, dizer o que preciso dizer. Tenho notado que o ser humano não gosta de ouvir verdades, não gosta que o outro seja sincero e que faça aquilo que tem vontade de fazer. Se não está lambendo os pés daqueles que o acompanham não é "humilde" suficiente. A dita humildade, se analisada a fundo, é confundida com ~fazer qualquer coisa pelos outros~ e esses outros te julgam como decadência humana se não se põe de quatro para que montem em suas costas. Decidi a partir de agora não considerar mais as minhas costas como depósito das frustrações alheias. Se não correspondo às expectativas daqueles que me acompanham, só posso dizer que sinto muito, faço o melhor que posso, mas faço o que desejo fazer, se isso não agrada, fiquem a vontade para se retirarem da minha vida. Isso não quer dizer que eu não goste de companhia, que não gosto de meus amigos e colegas, quer dizer apenas que, se não são capazes de entender que sou um ser humano com vontade própria, estejam a vontade pra entrar em círculos de convivência onde haja relação de mútua de falsidade,  se for pra ser assim, prefiro minha própria companhia.

  Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...