Quero poder me tirar dessa casa que já não moro há mais de um ano
Essa casa onde o sol bateu pela janela,
naquela manhã,
Um dia antes de sabermos que talvez fosse pra sempre
Ou um dia depois
Não lembro a ordem das coisas
Mas lembro das coisas.
Lembro da sensação de acender
Da conexão que é rara
Quem sabe única
Porque nunca mais foi com ninguém como foi contigo.
Fecho os olhos e lembro das cenas
Tá difícil deixar o nosso ano pra trás.
A minha pele não esquece da tua
Você foi marca que não apaga
Marcou o meu corpo
Os meus sentidos
A minha saudade.
O teu toque tá aqui ainda
Ele não sai com água,
Não sai com vento,
Não sai com o tempo
Não sai de jeito nenhum
E nem ao menos me dá uma trégua
Virou armadura
Que me protege do presente
Que me protege dos dias
Dos meses
E dos anos que estão passado sem você aqui.
Eu estou transbordando
A tua falta sai pelos poros
Eu sinto dor.
Penso em todo o tempo que perdi
Que perdemos
As coisas mais importantes se tornaram banais
E as banais as mais importantes
Nem todo o dinheiro do mundo pode trazer agora
O tempo que perdemos
E não há prejuízo maior que alterar o destino.
Poderíamos ser nós
Ou ao menos,
Poderíamos ser uma tentativa.
É triste deixar pra trás essa lembrança
Talvez por isso eu não consiga.
Você foi de mais
Ainda é
Mas cabe em mim
E eu não quero que saia
Mesmo que eu seja a única pessoa morando aqui
Nessa casa que é nossa
A casa na minha memória
Atemporal
Feliz
Dolorosa.
A nossa casa na praia
Que já submergiu
Mas segue viva
É presença
Vive em todo lugar aqui dentro.
Pra ser sincera,
Eu não quero deixar você
Mas nós já nos deixamos faz tempo
Quando fizemos escolhas erradas
Quando subestimamos o poder da adversidade
Quando confiamos demais no destino
Nós paramos
E nos amparamos nessa força
Na potência que foi o nosso encontro
Como se a nossa vontade por si só daria um jeito
De organizar nossos caminhos para que se cruzassem de novo
Confiamos nisso
E nos deixamos de lado.
Hoje,
Tarde demais
Ou cedo demais.
sexta-feira, 17 de julho de 2020
Dúvida
Tentamos estar aqui
E acompanhar nosso corpo
A gente sabe,
Cada um se vê nos olhos do outro
Que há pouco de si ali dentro.
Mas a parte que fica
Tenta ficar cada vez mais
E é lindo de ver
A forma como tentamos.
Um trabalha pra convencer o outro
Mas falha consigo mesmo
A pergunta que fica é
Por que ainda tentamos?
O que nos mantém na insistência?
O que nós desejamos afinal?
Nos desejamos na mesma proporção,
Parece pouco
Parece que desejamos mais do que tudo
Desejar um ao outro.
E acompanhar nosso corpo
A gente sabe,
Cada um se vê nos olhos do outro
Que há pouco de si ali dentro.
Mas a parte que fica
Tenta ficar cada vez mais
E é lindo de ver
A forma como tentamos.
Um trabalha pra convencer o outro
Mas falha consigo mesmo
A pergunta que fica é
Por que ainda tentamos?
O que nos mantém na insistência?
O que nós desejamos afinal?
Nos desejamos na mesma proporção,
Parece pouco
Parece que desejamos mais do que tudo
Desejar um ao outro.
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