sábado, 1 de junho de 2019

Aos felizes não cabem poemas

A tristeza deve servir às palavras
Assim como a solidão lhes serve.
Pessoas felizes não escrevem poemas
Desse remédio elas não sentem o gosto,
Porque suas bocas estão cheias,
Fartas de regozijo.
E essa alegria que lhes escorre dos lábios,
As torna leigas aos poemas
E aí me cabe o consolo,
De que a mim eles fazem sentido.

Quando mergulho nas palavras de Fernando Pessoa, ele é
Ao mesmo tempo,
mar que me afoga e bote que me salva.
E ao colocar-me diante do espelho com seus versos
Eu me sinto menos menos sozinha
E só nessas horas me aproximo um pouco das pessoas felizes.
Meus pedaços quebrados,
Com os dele conversam bem
E é tão bom que alguém tenha colocado em palavras -
Há mais de meio século atrás -
As coisas que meu coração sente.

As pessoas felizes tem outras pessoas felizes.
Eu, pessoa sozinha, tenho o meu poeta Pessoa.
Então, uma gota daquele regozijo que escorre farto da boca dos felizes,
cai sobre meus lábios também.
Mesmo não sendo tão doce,
Me alimenta e eu posso ser grata às palavras,
Porque minha tristeza à elas serve e elas servem a mim.
E isso, os felizes nunca entenderão

  Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...