A verdade
é que eu sempre vou esperar que alguma coisa aconteça. Algo do tipo, você mudar
de ideia e ver que sou eu quem você quer, que é do meu lado a tua felicidade,
que seu sorriso é melhor comigo e que quando me abraça esquece o mundo. Espero visceralmente
por isso, mesmo sabendo que estou me iludindo. Mesmo sabendo que tuas palavras
pra mim foram cuidadosamente escolhidas pra me enganar, pra mentir e me fazer
acreditar em nós. Dói perceber que aquilo que pensei ser nosso, era apenas meu.
Hoje vejo você fazendo exatamente o contrário do que me disse que faria. Lembro
do teu olhar dentro do meu pedindo: “fica comigo”. Pediu para eu ficar, mas se
foi antes mesmo de eu poder realizar teu pedido.
Queria
não sentir o que sinto todas as vezes que te vejo. Queria te apagar da minha memória,
esquecer teu nome, teu cheiro, tua voz, o teu rosto... Queria devolver a dor
com a qual você me presenteou. Queria ver você queimar assim como eu queimo por
dentro e viro cinza ao ver como sou frágil diante de você.
Eu sei,
essa esperança é apenas uma forma de me defender, acreditar que você não me
diria não simplesmente por não querer, por não gostar de mim. É uma forma de
não me destruir diante do seu não, de não matar o que sinto por ti assim, de
repente. Acreditar que você também sente pelo menos um pouco do que eu sinto é
o meu jeito de proteger meu ego frágil, resignado, que já sofreu, que sente-se
pequeno, inferior.
Agora,
com meu orgulho pisado, esmagado e jogado na lama, junto-o e deixo em minhas
mãos para que todos vejam como ele está ferido. Como ainda não aprendi a lidar
com frustrações cotidianas. Como dôo-me mais do que deveria. Como me engano – e
com esforço – para não reconhecer que nem tudo é como eu gostaria, que nem tudo
acontece como planejei. Como a vitória não é sempre garantida, mesmo que o jogo
me pareça ganho. Suportar isso tudo me faz crescer e de forma muito dura me
joga na cara que a realidade independe dos nossos sonhos e desejos,
especialmente quando esses incluem outra pessoa que não somente eu.


