segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

póstumo adeus


Eu morri sem chances de despedida

Não foi uma doença que me levou embora, meus pais não puderam chamar a família e eu não pude abraça-los e nem abraçar meus amigos, não pude tirar as fotos que queria nem terminar meus textos ou concluir a faculdade. Eu parti. Junto comigo todas as esperanças de um futuro bom, todas as memórias, passado presente e futuro enterrados comigo. Estou triste. Sei que partir deixou muitas pessoas que amo chorando, esperando pelo meu consolo, mas daqui onde estou agora não posso fazer mais nada, não da forma como eles gostariam... Um último beijo, um eu te amo... Minhas chances partiram. Agora vejo que todo meu medo e vergonha fizeram-me perder coisas incríveis das quais não quis tentar por achar que iria perder o jogo ou pensando no que iriam dizer. Queria voltar para pelo menos concluir a minha lista de mais ou menos 50 coisas que eu gostaria de fazer. Queria concluir meus planos inadiáveis que sempre adiei. Queria voltar e tratar meus pais como reis, dar o meu melhor a eles, vendo-os agora... eu nem imaginava que me amassem tanto! Queria também ser a melhor amiga da minha irmã. Que ela me admirasse e ser um bom exemplo à ela. Sonhei em ajudá-la com boas palavras, coisas que nem os pais nem os amigos dizem. Algo que ela pudesse levar para sua vida inteira, e no final das contas ela visse que conseguiu chegar ao sucesso. Queria assistir o seu sucesso. Mas agora eu parti, de repente, sem aviso. Nem mesmo tempo da última oração, um pedido humilde para que Deus carregasse minh’alma no colo ou que andasse ao meu lado, já que nunca gostei de andar sozinha. As coisas ainda estão estranhas pra mim, estou de luto também, porque assim como os que ficaram me perderam, eu os perdi igualmente. Perdi seus abraços, cheiro, sorriso, gritos, cantos, voz... Perdi tudo o que poderíamos viver. Morri outra vez por saber que não os terei nunca mais. Estou só. Triste, querendo voltar; mas não posso. Queria que lessem minha carta que agora escrevo e mente. Se eu tivesse mais uma chance lhes mostraria o quando a vida é preciosa, faria com que vissem o milagre do ar em nossos pulmões, a vitalidade que é um coração pulsante. Agora não sinto nada, não tenho cãibras, dor de cabeça ou cólica, meus órgãos estão parados, e essa sensação de não viver é horrível! Espero que um dia, não tarde, entendam a divindade que é a existência e comecem fazê-la valer a pena, comecem a viver para agradar a única pessoa que passará a eternidade ao seu lado: Você mesmo!

  Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...