Eu morri sem
chances de despedida
Não foi uma
doença que me levou embora, meus pais não puderam chamar a família e eu não
pude abraça-los e nem abraçar meus amigos, não pude tirar as fotos que queria
nem terminar meus textos ou concluir a faculdade. Eu parti. Junto comigo todas
as esperanças de um futuro bom, todas as memórias, passado presente e futuro
enterrados comigo. Estou triste. Sei que partir deixou muitas pessoas que amo
chorando, esperando pelo meu consolo, mas daqui onde estou agora não posso
fazer mais nada, não da forma como eles gostariam... Um último beijo, um eu te
amo... Minhas chances partiram. Agora vejo que todo meu medo e vergonha
fizeram-me perder coisas incríveis das quais não quis tentar por achar que iria
perder o jogo ou pensando no que iriam dizer. Queria voltar para pelo menos
concluir a minha lista de mais ou menos 50 coisas que eu gostaria de fazer. Queria
concluir meus planos inadiáveis que sempre adiei. Queria voltar e tratar meus
pais como reis, dar o meu melhor a eles, vendo-os agora... eu nem imaginava que
me amassem tanto! Queria também ser a melhor amiga da minha irmã. Que ela me
admirasse e ser um bom exemplo à ela. Sonhei em ajudá-la com boas palavras,
coisas que nem os pais nem os amigos dizem. Algo que ela pudesse levar para sua
vida inteira, e no final das contas ela visse que conseguiu chegar ao sucesso. Queria
assistir o seu sucesso. Mas agora eu parti, de repente, sem aviso. Nem mesmo
tempo da última oração, um pedido humilde para que Deus carregasse minh’alma no
colo ou que andasse ao meu lado, já que nunca gostei de andar sozinha. As coisas
ainda estão estranhas pra mim, estou de luto também, porque assim como os que
ficaram me perderam, eu os perdi igualmente. Perdi seus abraços, cheiro, sorriso,
gritos, cantos, voz... Perdi tudo o que poderíamos viver. Morri outra vez por
saber que não os terei nunca mais. Estou só. Triste, querendo voltar; mas não
posso. Queria que lessem minha carta que agora escrevo e mente. Se eu tivesse
mais uma chance lhes mostraria o quando a vida é preciosa, faria com que vissem
o milagre do ar em nossos pulmões, a vitalidade que é um coração pulsante.
Agora não sinto nada, não tenho cãibras, dor de cabeça ou cólica, meus órgãos estão
parados, e essa sensação de não viver é horrível! Espero que um dia, não tarde,
entendam a divindade que é a existência e comecem fazê-la valer a pena, comecem
a viver para agradar a única pessoa que passará a eternidade ao seu lado: Você
mesmo!