sábado, 10 de novembro de 2012

Elo


          Não se prenda a mim, não quero manter-te como meu refém e nem quero ser seu cárcere. Eu não preciso de você assim como você não precisa de mim. Nós fingimos que nos precisamos. Fiz-te minha água e meu alimento assim como tu fizeste a mim também. Enganamos-nos acreditando que somos necessários um ao outro. Somos na verdade, dependentes.
         Somos a melhor companhia, a melhor conversa e a única pessoa com quem pensamos estar. Não experimentamos nada, não conhecemos mais ninguém. Somos autossuficientes no que diz respeito a dividir horas do dia. Estamos aprisionando um ao outro e a nós mesmos sem nos darmos conta disso. Tu mudaste muitas coisas em mim, mais até do que eu posso ver.
Apesar de meus risos serem vazios, eles se tornam agradavelmente vazios quando compartilhados contigo e não há ninguém que escute o silêncio comigo tão bem quanto você faz. Se eu conhecesse o amor, poderia dizer que te amo. Porém, creio que esse amor pode ser tanto pra mim quanto pra ti, a única coisa que nos resta. Tu estás entregue a mim, e eu a você. Respeitamos um acordo que nem se quer foi selado, mas pra ser sincera, tenho muito medo de perder tudo isso.
Queria te libertar, pois como já diz Shakespeare “(...) a sutil diferença entre estender a mão e acorrentar uma alma.”, não quero ser a corrente que te prende, apesar de ter medo que vás embora. Gosto de ti a ponto de poder ver (e aceitar) que tua felicidade pode estar longe de mim. Não conheço teus sentimentos e nem se quer entendo os meus, mas meu grande temor é te carregar comigo nesse meu caminho sem rumo, vazio, frio e incerto. Desejo pra ti o sucesso que tu merece, alguém que possa retribuir e não só reconhecer o teu valor. E se há algum sentimento bom em mim, ele existe porque você existe.


  Das certezas breves, uma: Não me desculpo por quem eu sou. Desconfio. Até canso de mim às vezes, Mas, não me desculpo. Cada dia m...